Porto Alegre/RS apresenta estudos para parcerias na área de saneamento em encontro nacional

Porto Alegre foi a única cidade convidada a mostrar os seus projetos no evento. O debate faz parte da programação do XVIII Encontro Nacional das Águas Urbanas. O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Thiago Ribeiro, apresentou os dois estudos de parceria público-privada (PPP) realizados na capital gaúcha na área do saneamento. O primeiro, nos setores de água e esgotamento sanitário, foi iniciado em janeiro deste ano. Elaborado com a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o estudo já possui diagnóstico bastante avançado. O segundo projeto foi assinado com a Caixa, em setembro, para estruturação de uma PPP para drenagem urbana. Porto Alegre foi escolhida pelo Programa de Parcerias de Investimentos do Governo Federal (PPI) para o desenvolvimento de um projeto-piloto, juntamente com Teresina. Estudos Sobre Saneamento A consultoria que fará o estudo passará por um processo de seleção nos moldes dos contratos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O modelo shortlist avalia menor preço e qualidade técnica, garantindo assim um estudo bastante robusto e chances de mais interessados em um futuro contrato de concessão do serviço. O processo de seleção deve ocorrer na primeira quinzena de novembro e será publicado no Diário Oficial da União. O debate no webinar desta quarta-feira foi moderado pelo superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondin, e contou ainda com Carlos Tucci, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (Ufrgs); Manoel Renato, diretor do PPI do Ministério da Economia; e Alexandre Anderáos, integrante do Grupo de Trabalho do Saneamento da ANA. FONTE: https://www.saneamentobasico.com.br

Gestão hídrica e as chuvas de verão

Por Sibylle Muller Boa parte dos moradores das grandes cidades brasileiras tem um encontro marcado com eventos que se repetem todos anos e causam mortes, danos físicos, materiais e transtornos ao funcionamento dos equipamentos públicos: as enchentes, enxurradas e deslizamentos de terras causados pelas chuvas de verão. Estes fenômenos vêm piorando com a crescente impermeabilização do solo urbano, que impede a infiltração da água de chuva nos terrenos e acaba levando as águas a escorrerem superficialmente. Outro aspecto importante na formação de enchentes é causado por resíduos acumulados nas ruas e areias de construções, que levados pelas águas de chuva até a rede pública, podem causar entupimentos nas tubulações e assoreamento em rios. A obstrução dos canos da rede pública faz com que a água não passe por eles e acabe voltando para as ruas, causando pontos de alagamento. O acúmulo de resíduos em rios e córregos diminui a lâmina de água e aumenta a probabilidade de transbordamento dos rios e córregos, causando enchentes. É clara a necessidade de melhorar a articulação e cooperação entre a União, Estados e Municípios para a solução sistêmica dos problemas causados pelas chuvas, nos meios urbanos. A receita que o país vem utilizando, há anos, é a adoção de obras de infraestrutura custosas, como os piscinões. Interferências urbanas diversas e o crescimento demográfico devem ser considerados para soluções efetivas dentro de um planejamento integrado de médio e longo prazo. No que diz respeito à impermeabilização do solo urbano, é importante manter, para novos projetos, taxas mínimas de áreas permeáveis nos terrenos para promover a infiltração da água de chuva no solo, reduzindo a possibilidade de enchentes. A gestão das águas de chuva começa a ser realizada, pontualmente, em novos projetos de edificações residenciais, comerciais, corporativas e industriais com a aplicação de soluções sustentáveis, como os projetos para aproveitamento de águas pluviais e reuso das águas cinzas. Os sistemas de tratamento de águas de chuva, corretamente dimensionados e com uso generalizado, constituem uma das ferramentas no combate à formação das enxurradas e enchentes em áreas pouco permeáveis e contribuem para a diminuição dos fluxos de águas pluviais para os córregos e rios. Além da legislação que deve exigir a previsão  de projeto de aproveitamento das águas de chuva, para aprovação de novos empreendimentos, usar incentivos fiscais, como redução de IPTU, para aqueles que tenham sistemas de aproveitamento ou de reuso implantados no seu empreendimento, pode ser uma boa estratégia do poder público para a disseminação do conceito do reúso.  As águas cinzas são águas residuais que geramos diariamente em processos domésticos como, por exemplo, no banho do chuveiro, no uso da pia do banheiro e na máquina de lavar.  O reuso de água cinza permite a substituição do uso de água potável em situações em que a potabilidade não é necessária. A diminuição do consumo de água potável e do volume de esgoto gerado, reduzem o volume de água encaminhado para as estações de tratamento de esgoto e ou para os cursos d’água. As águas de chuva podem ser coletadas, preferencialmente, em coberturas dos edifícios residenciais, comerciais e industriais. O tratamento dessas águas deve prever filtração e desinfecção, mesmo para a utilização em fins não potáveis. Além do papel ambiental, a possibilidade de substituição de parte dos volumes de água potável por água de chuva resulta em redução efetiva do consumo de águas potáveis, diminuindo custos e preservando os mananciais para finalidades mais nobres. A partir de estudos de viabilidade do custo x benefício do aproveitamento das chuvas e das águas cinzas, para cada obra e região, a AcquaBrasilis, desenvolve projetos e instala sistemas de aproveitamento dessas águas para irrigação de jardins, canteiros, lavagem de piso, calçadas e limpeza em geral, bem como, em descargas de vasos sanitários e lavagem de veículos. A introdução de sistemas de uso racional da água nos projetos, com a retenção e consumo das águas no próprio empreendimento, com o aproveitamento ou reuso, resulta em   pontos positivos para aqueles que almejam obter as certificações internacionais de sustentabilidade na construção civil, como a AQUA-HQE e Leed, do GBC. Os sistemas para tratamento e reuso de águas de chuva e cinzas, bem dimensionados e com operação adequada ao longo do tempo, podem diminuir, volumes de escoamento de águas superficiais nas ruas e reduzir os volumes de água que escorrem para rios e córregos, resultando em redução de enchentes e seus acidentes e mortes, o que pode trazer muitos benefícios, principalmente, na época das fortes chuvas de verão.

Tenda investe em construção off-site para expandir atuação no Brasil

A construtora e incorporadora brasileira Tenda adiantou à Forbes, com exclusividade, que concluiu nesta semana a montagem das duas primeiras casas em woodframe em um condomínio fechado no interior de São Paulo. A novidade representa uma inovação não só do ponto de vista da tecnologia adotada, que consiste no uso de enquadramentos de madeira, mas também do processo, já que a construção passa a ser baseada no modelo off-site, ou seja, partes dos imóveis são produzidas em uma fábrica, também no interior do Estado para, em seguida, serem transportadas para os canteiros de obra para montagem e acabamento. “Esse é o resultado de uma reflexão que começou internamente há três anos”, conta Rodrigo Osmo, CEO da companhia, cujo mercado de atuação está muito relacionado aos imóveis que atendem aos requisitos do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa Minha Vida). “Nós percebemos que o nosso modelo de negócios tinha uma capacidade de crescimento limitada. Estávamos lançando cerca de 15 mil unidades por ano e poderíamos chegar, no máximo, a 30 mil em algum tempo. Entre ser uma grande geradora de caixa, estável, mas com desenvolvimento restrito, e aproveitar nosso expertise para iniciar um novo ciclo de negócios, ficamos com a segunda alternativa”, conta o executivo. Com base nessa definição, a companhia então partiu para o desafio de resolver dois entraves principais. O primeiro era justamente continuar crescendo e, para isso, era preciso sair das grandes regiões metropolitanas. “Até então, essa era uma condição necessária para ter uma escala capaz de manter o nosso modelo de negócios em pé. Mas era preciso encontrar uma forma de operar em escala menor e, assim, entrar em cidades pequenas e médias”, diz Osmo. O segundo problema passava pela constatação de que a abordagem industrial usada na construção civil produzia ganhos marginais cada vez menores, e que, com o passar do tempo, não haveria mais incrementos de produtividade porque toda a operação já estaria otimizada na ponta. “O modelo off-site veio para equacionar essas adversidades. Por um lado, ele permite que atuemos com uma escala local pequena, no nível da cidade onde está o empreendimento. Por outro, o fato de transferir a obra do canteiro para uma fábrica aumenta muito a nossa capacidade de industrialização do processo”, explica o executivo referindo-se à independência em relação às intempéries, à possibilidade de atuação em três turnos e até à otimização de processos, já que vários deles estarão no mesmo lugar. Divulgação WOODFRAME E NOVOS MODELOS CONSTRUTIVOS Após uma série de viagens para o exterior, tanto de Osmo quanto de outros executivos da companhia, decidiu-se pela utilização da tecnologia woodframe, amplamente aplicada em residências de alto padrão em países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Suécia. “Mercados desenvolvidos utilizam woodframe em residências menos populares porque ele garante um conforto térmico e um isolamento acústico superiores ao que as tecnologias convencionais oferecem”, explica Osmo, comparando a matéria-prima com o concreto. Por aqui, o desafio da empresa vai ser justamente encontrar uma maneira de usar a tecnologia no segmento de imóveis populares. “Esse mercado tem um tamanho expressivo e aceita bem a padronização de tipologias. Esses dois componentes são muito importantes para viabilizar uma operação industrial de larga escala e com ganhos de produtividade. Apostamos nesta combinação para oferecer um produto de qualidade superior a um preço acessível.” O executivo explica que a madeira também tem um forte componente de sustentabilidade. Diferente de outros insumos, como aço e concreto, que são emissores de carbono, a madeira sequestra CO2 do meio ambiente para crescer. Além disso, a construção em fábrica reduz significativamente o volume de resíduos e o consumo de água nas obras. Por enquanto, a iniciativa está funcionando em escala artesanal no espaço alugado de 3 mil metros quadrados, onde estão sendo desenvolvidas as prototipagens e os painéis que depois são levados ao condomínio, para a montagem das casas que têm, aproximadamente, 60 metros quadrados. Mas, para o executivo, o resultado das casas-modelo foi animador e abre as portas para acelerar a validação de diversos conceitos da construção off-site. Se tudo correr como a empresa espera – e o negócio ganhar escala –, será preciso definir como conduzir essa transição para um modelo industrial e não mais artesanal. “Isso pode ocorrer de diversas formas”, diz Osmo. “Pela instalação de várias fábricas como essa que temos hoje, de joint ventures com empresas que já tenham partes do processo fabril constituídas ou até da estruturação de uma única unidade.” Também é preciso, ainda, ganhar mais experiência na montagem nos canteiros, avaliar a aceitação junto aos consumidores e entender como fica a relação com o agente financiador. O executivo estima que sejam necessários cerca de dois anos para começar a produzir em larga escala. O objetivo é ambicioso: cerca de 60 mil unidades por ano, o que quadruplicaria a atual capacidade da construtora. Para Osmo, esse movimento da companhia está alinhando ao que se entende, de fato, por inovação. “A construção civil é um grande paradoxo, uma vez que é o maior segmento do mundo – representa 13% do PIB mundial – ao mesmo tempo em que é também o mais ineficiente”, explica. “Inovar, nessa área, não é só digitalizar processos. Esse é um componente importante, mas é parte de algo maior. O que de fato vai resolver esse problema de produtividade é a industrialização, ou seja, sair de um ambiente hostil, como o canteiro de obras, para um ambiente mais controlado. Essa é a verdadeira inovação, a verdadeira concepção de construtech.” Até o momento, a iniciativa consumiu pouco mais de R$ 12 milhões, mas a expectativa é que esse investimento aumente conforme as próximas fases forem sendo encaminhadas. “Originalmente, a ideia era investir 1% da receita em pesquisa e desenvolvimento, mas é possível que esse índice suba para 2% ao longo do tempo.” FONTE: FORBEShttps://www.forbes.com.br/forbes-insider/2020/09/exclusivo-tenda-investe-em-construcao-off-site-para-expandir-atuacao-no-brasil/

Novo marco do saneamento básico aumentará geração de empregos

Com a aprovação do novo marco do saneamento básico, a economia deve ser movimentada com a modernização do setor. A meta é gerar por volta de 700 mil empregos no País nos próximos 14 anos, de acordo com o Ministério da Economia. O professor Rudinei Toneto, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, explica que o aumento dos investimentos na área pode gerar efeitos diretos e indiretos. “A estimativa é que haja dois tipos de impacto. Com o aumento das extensões de rede de água e esgoto, isso gerará empregos diretos, relacionados à manutenção, atendimento e administração do projeto. Além disso, a elevação dos investimentos na área também gerará empregos durante o processo, com a necessidade de profissionais da construção civil, da indústria de materiais de construção, projetistas, engenheiros, entre outros”, explica Toneto. Ele acredita que o crescimento do número de empregados também gerará o “efeito multiplicador”, gerando a criação de empregos adicionais, relacionados às necessidades daqueles que trabalharão diretamente na operação dos novos serviços. A participação do setor privado, prevista pelo novo marco, também contribuirá com uma maior capacidade de gestão dos recursos, assim como maior segurança regulatória, fornecendo maior garantia ao investidor, por consequência, movimentando a economia. Entretanto, o professor ressalta alguns desafios na implementação dessas modernizações, incluindo a quantidade de recursos financeiros necessários, o detalhamento do projeto e os problemas atuais do serviço, e também a necessidade de qualificação de pessoal técnico. Fonte: Jornal da USP.

Doria volta a buscar dinheiro para despoluição do rio Pinheiros/SP

A Desenvolve SP diz que está em negociação para captar US$ 75 milhões para o projeto de despoluição do rio Pinheiros com o IFC, braço do Banco Mundial para o setor privado. O banco também espera captar recursos da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) e do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics). Se der certo, a nova rodada de captação vai aliviar o receio das empresas que embarcaram no projeto do Pinheiros, amparadas no plano de financiamento do governo Doria para as vencedoras dos editais da Sabesp, com taxas a partir de 0,17% ao mês mais Selic. Até agora, a Desenvolve SP aprovou quatro operações de crédito para a área no valor total de R$ 84,64 milhões. Outras oito propostas de financiamento estão ainda em fase de análise. Recuperação Ambiental A recuperação do Pinheiros é menina dos olhos do governador João Doria na área ambiental e tem potencial de valorização imobiliária do entorno. A Desenvolve SP diz que os recursos não acabaram. “Estamos captando para ganhar capacidade de alavancagem e liquidez, uma operação normal no mercado. Porque existe uma crise de liquidez na economia mundial e brasileira, e, em São Paulo não é diferente”, afirma em nota. A instituição diz que ajustou suas políticas de crédito na pandemia por causa da necessidade emergencial de liquidez das pequenas e médias empresas. Segundo a Desenvolve SP, a prioridade tem sido fornecer crédito emergencial na linha de capital de giro. “Agora, na etapa de recuperação econômica (6 a 12 meses do início da pandemia), estamos empenhados na internalização de recursos para projetos de investimento”, afirma a instituição. Fonte: Folha UOL.

Saneamento e higiene têm papel fundamental na resposta à Covid-19, defendem UNICEF, Banco Mundial e SIWI

A pandemia da Covid-19 exacerbou a necessidade de políticas públicas que garantam a cobertura universal de serviços de saneamento, cruciais para que a população possa manter hábitos de higiene recomendados para evitar o contágio pelo vírus. Em um webinário realizado nesta quarta-feira, o UNICEF, o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) lançaram a nota técnica  “O papel fundamental do saneamentoe da promoção da higiene na resposta à Covid-19 no Brasil” , que traz uma análise sobre as ações implementadas no País e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa do setor à crise da Covid-19. Uma das medidas mais eficazes de prevenção do novo coronavírus é a lavagem frequente e adequada das mãos com água e sabão. Por isso, o acesso contínuo e a qualidade dos serviços de água,esgotoehigiene devem ser garantidos nos domicílios, estabelecimentos de saúde, escolas e outros espaços públicos. Hoje, o acesso a estes serviços básicos não está garantido em grande parte do Brasil – o que tem amplificado o impacto da pandemia no País. Dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS/UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP), indicam que 15 milhões de brasileiros residentes em áreas urbanas não têm acesso à água tratada. Em áreas rurais, 25 milhões gozam apenas de um nível básico desses serviços, e 2,3 milhões usam fontes de águanão seguras para consumo humano e higiene pessoal e doméstica. Os números são igualmente alarmantes quando se trata de coleta e tratamento de esgoto. No Brasil, mais de 100 milhões de pessoas não possuem acesso a uma rede segura. Desse total, 21,6 milhões usam instalações inadequadas, e 2,3 milhões ainda defecam a céu aberto. “O Banco Mundial tem feito um monitoramento das medidas adotadas no Brasil para garantir a prestação de serviços de água e esgoto durante a pandemia. Os estados, companhias de saneamento, agências reguladoras e prefeituras tem recorrido a ações de auxílio emergencial aos usuários, como por exemplo adiamento do vencimento das contas de água e esgoto e campanhas de conscientização. Mas além de garantir o fornecimento seguro de água, sobretudo aos segmentos mais vulneráveis, é importante assegurar que os provedores de serviços de água e esgoto tenham acesso a pacotes de assistência financeira para conseguirem atravessar a crise”, aponta Luis Andres, Líder do setor de Infraestrutura e Água do Banco Mundial no Brasil. Volta às aulas A  situação precária também se reflete nas escolas onde  – de acordo com as estimativas do JMP – 39% não possuem serviços básicos para lavagem das mãos. As desigualdades entre as regiões são tremendas. Apenas 19% das escolas públicas do estado do Amazonas têm acesso ao abastecimento de água e alguns estados da região norte registram menos de 10% das escolas com acesso ao sistema público de esgoto. “Neste momento em que os estados e municípios discutem como assegurar uma reabertura segura das escolas, fortalecer os serviços básicos de água e esgoto deve ser uma das primeiras intervenções. É necessária uma análise criteriosa da situação da Covid-19 em cada estado e município, e da situação das escolas. Nesse contexto, a disponibilidade de instalações para a lavagem das mãos, com sabão e torneiras com água suficiente, de banheiro com tratamento adequado do esgoto e de produtos de higiene é indispensável  para a decisão sobre reabrir o ensino presencial”, defende Florence Bauer, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil. Entre as recomendações feitas na nota técnica, está assegurar a disponibilidade de dados confiáveis e desagregados relativo ao acesso adequado a água e esgoto e higiene em domicílios, escolas e estabelecimentos de saúde. Lacunas de acesso devem ser preenchidas urgentemente e atenção particular tem de ser dada às populações vulneráveis tanto nos centros urbanos como nas zonas rurais. Para fortalecer o sistema de saneamento no Brasil – tanto na resposta à crise atual como no longo prazo – a nota recomenda uma maior cooperação entre as diferentes esferas do governo (municipal, estadual e federal) e a alocação de recursos financeiros públicos aos provedores de água e esgotocom base em metas de desempenho tangíveis, transparentes e verificáveis. Sobre o Banco Mundial O Grupo Banco Mundial, uma das maiores fontes de financiamento e conhecimento para os países em desenvolvimento, está tomando medidas amplas e rápidas para ajudar esses países a fortalecer sua resposta à pandemia. Estamos apoiando as intervenções de saúde pública, trabalhando para assegurar o fluxo de suprimentos e equipamentos essenciais e ajudando o setor privado a continuar a operar e manter empregos. O Grupo disponibilizará até US$ 160 bilhões em assistência financeira ao longo de 15 meses para ajudar mais de 100 países a proteger os pobres e vulneráveis, apoiar as empresas e sustentar a retomada da economia. Desse total, US$ 50 bilhões serão novos recursos da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) na forma de doações e empréstimos em condições altamente concessionais Sobre o UNICEF O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos. Saiba mais em www.unicef.org.br Sobre o SIWI O SIWI é um instituto líder em água, focado na governança e capacitação, com o objetivo de alcançar a utilização justa, próspera e sustentável dos recursos hídricos. Suas pesquisas e produções de conhecimento tem ajudado no desenvolvimento e implementação de políticas e programas na área. Além disso, o SIWI usa a sua credibilidade e seu poder de convocação para facilitar o diálogo entre diferentes atores, mais evidentemente, durante seu evento anual, a Semana Mundial da Água. Fonte: Unicef

Conheça a economia e os benefícios ambientais do aproveitamento de águas cinzas.

Por Sibylle Muller As águas cinzas são aquelas originadas na saída de lavatórios, ralos de chuveiro e máquinas de lavar. São uma mistura de água, produtos de higiene e baixa concentração de matéria orgânica. Estas águas constituem um recurso hídrico a mais que, pode passar por um tratamento e ser reaproveitado em tarefas que necessitam de água, mas não potável. Para estes usos, em que a potabilidade não é requerida,  os níveis dos parâmetros de qualidade da água não precisam ser os mesmos estabelecidos quando para o consumo humano, uma vez que a água não será ingerida e não terá contato direto com a pele e mucosas. Já pensou em dar descarga ou abrir a mangueira do jardim e saber que não está utilizando água potável, comprada das empresas de saneamento básico? Além de econômica, essa atitude tem grande valor para o meio ambiente: reduz a carga poluidora despejada nos rios, preserva a água potável para fins nobres (água para beber e água para tomar banho, por exemplo). Imagina a economia com o uso de água não potável tratada, em vasos sanitários, limpeza, irrigação de áreas verdes, sistemas de ar condicionado, para um prédio, com 40 famílias, por exemplo.    A boa notícia é que, com as tecnologias atuais, é possível realizar este ciclo dentro dos próprios empreendimentos. Empresas, shoppings centers, centros de eventos e condomínios já adotam o reuso de água cinza para a gestão ambiental e econômica das atividades. O volume gerado de águas cinzas em um empreendimento residencial ou comercial, na maioria das vezes, atende as necessidades de vazão dos pontos de consumo para água não potável. Por esse motivo, a AcquaBrasilis, empresa que atua no mercado para oferecer as melhores soluções em gestão hídrica, inicia os projetos de reuso de águas cinzas a partir de um balanço hídrico dos empreendimentos, onde se apresentam todas as fontes (esgoto bruto, águas cinzas, águas de drenagem, por exemplo) e avalia onde elas podem ser aproveitadas, após o tratamento, para garantir o melhor custo benefício e a redução de despesas aos usuários. O AcquaCiclus, tecnologia da AcquaBrasilis, utiliza um sistema único de tratamento de efluentes que utiliza a tecnologia de leitos fixos rotativos (rotores). O funcionamento é baseado em princípios naturais de degradação da matéria orgânica, que permite a digestão do esgoto em presença de oxigênio do ar, sem a necessidade de introduzir nenhuma substância ou produto estranho ao processo. Trata-se de um sistema de tratamento inovador para o reuso de águas cinzas no Brasil, e que vem sendo projetado e utilizado com sucesso em projetos com mais de 10 anos. A empresa já elaborou 220 projetos de sistemas AcquaCiclus com reuso de água cinza, tendo em operação 145 Sistemas, com capacidade instalada de 37.440 m3/m de água cinza tratada, em todo o Brasil.  Quais são os benefícios das estações de tratamento de águas cinzas e reuso? Valorização do Patrimônio Economia na Conta de Água, Esgoto e redução de despesas mensais Garantia da disponibilidade em épocas de escassez Atitude responsável com o meio ambiente Excelente custo-benefício Baixo consumo de energia Baixo custo operacional e de manutenção Sistemas aeróbicos que não produzem cheiro Sistema modulável com opção de aumentar a capacidade conforme a necessidade de crescimento

Marco legal do saneamento deve acelerar investimentos para diminuir o déficit no setor

Especialistas do Fórum de Infraestrutura Grandes Construções também pontuaram outras questões importantes para a área, como o planejamento e a tecnologia O novo marco legal do saneamento tende a equacionar o problema da falta de recursos para área no país. Nos últimos anos, os investimentos ficaram entre R$ 11 bilhões a R$ 13 bilhões, quando seriam necessários, ao menos, R$ 20 bilhões anuais para diminuir o déficit dos serviços de coleta e tratamento de esgoto e tratamento e fornecimento de água potável. De acordo com Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, em comparação com outros setores da infraestrutura, o saneamento é o primo pobre, com percentuais de aportes financeiros que variam entre 0,18% a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). “Nesse ritmo, não vai se chegar a lugar algum. Até a energia elétrica que é universalizada investe o dobro do saneamento no Brasil”, pondera o palestrante do Fórum de Infraestrutura Grandes Construções, que debateu Saneamento e Tecnologia: a chave para o desenvolvimento, no dia 20 de agosto. Ilana Ferreira, superintendente técnica da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), reforçou que os investimentos médios anuais no setor não são suficientes para atender a população, ou seja, expandir a rede, nem para recuperar a depreciação da rede existente. Segundo um estudo da entidade com a KPMG, seriam necessários mais de R$ 750 bilhões até 2033, sendo R$ 498 bilhões voltados para a expansão e R$ 255 bilhões para a manutenção. “O segmento é de baixa elasticidade, o que significa que as grandes variações do PIB afetam o setor, mas com proporcionalidade menor. O que impacta o saneamento no Brasil são as questões ambientais”.Além do investimento, outro fator preocupante é a perda de água potável, que chegou a 38,5% em 2018. “Ela acontece em todo o mundo, porém, esse índice é muito alto. Um percentual tolerável seria de 15%”, ressaltou Carlos. Como resultado, são R$ 12 bilhões de prejuízo com a perda de água, que poderiam ser revertidos, segundo ele, em investimentos, caso houvesse mais eficiência. Nesse sentido, Luiz Roberto Gravina Pladevall, presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (APECS), comentou que esse percentual de perda de água pode chegar até 70% dependendo da localidade, o que é muito frustrante para o consumidor, que paga pelo serviço, mas sem eficiência. Além disso, ele avaliou que reduzir a perda de água significa diminuir o custo de produção. Para ele, há muita coisa a ser feita no saneamento, mas não é possível virar a chave de uma hora para outra, isto é, passar de um investimento de R$ 12 bilhões para um de R$ 40 bilhões. “É necessário um planejamento de curto, médio e longo prazos e uma cadeia produtiva estruturada. Essa ação precisa ser bem feita e eficiente. Caso contrário, podemos chegar à universalização do saneamento, mas com grandes perdas e entregando um serviço ruim à população”. Para aumentar a eficiência do setor e diminuir as perdas decorrentes da falta de manutenção ou por ilegalidades, os especialistas do Fórum de Infraestrutura Grandes Construções 2020 foram enfáticos sobre a importância de utilizar a tecnologia como uma aliada. “O Brasil tem muita tecnologia disponível no mercado. A questão é aplica-la as necessidades locais”, afirmou Hélio Sugimura, gerente de Marketing da Mitsubishi Electric, que acrescentou que ela pode ser usada, por exemplo, para reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência energética. “Em outros países, a tecnologia pode oferecer suporte a todo processo produtivo”. João Rosa, sócio-fundador da Acqua Expert também acredita que a tecnologia é importante para elevar a qualidade do saneamento no país. No entanto, ele ponderou que algumas dessas tecnologias são importadas e que, com isso, há poucas pessoas com conhecimento e habilidade para fazer o dimensionamento e utilizá-las corretamente. Mesmo assim, na visão de Sugimura, o marco legal do saneamento pode ser uma oportunidade de transferir tecnologia e conhecimento já aplicados em outras nações do mundo. “No exterior, existe uma preocupação muito grande com a eficiência energética para o tratamento de água e esgoto. Outra questão também de atenção é a redundância de controladores e dos sistemas para dar confiabilidade aos processos”. Outra área que faz parte do saneamento é o resíduo. Desse modo, Luiz Gonzaga Alves Pereira, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), revelou que a situação da área de resíduos é pior do que a de água e esgoto. “Os nossos números são da época da pedra lascada. Um país com a dimensão do Brasil não pode em 2020 ainda agraciar a população com mais de 3 mil lixões. Estamos falando de saúde e quanto mais deixarmos de cuidar dos problemas que geram esse tipo de ação, mais problema teremos”, enfatizou. Uma realização da Revista Grandes Construções e da Sobratema – Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração, o Fórum de Infraestrutura Grandes Construções foi aberto pelo engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema, e teve a moderação de Vagner Barbosa, diretor da Agência Canteiro. O evento híbrido contou com os apoios da BW Expo, Summit e Digital 2020 e da M&T Expo 2021 e patrocínio da Itubombas, JCB e AcquaBrasilis. FONTE / Assista na íntegra: http://www.sobratemaforum.com.br/

Reúso é indicado para lavagem de piso, bacias sanitárias e rega de plantas

A água clara gerada por aparelhos de ar-condicionado é uma solução viável para usos não potáveis, como lavagem de piso, bacias sanitárias e rega de áreas verdes. A conclusão é de uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) entre os anos de 2018 e 2020. A pesquisa “Avaliação da viabilidade de uso e aceitação social da água clara gerada por aparelhos de ar-condicionado” foi realizada pela pesquisadora Jéssika de Oliveira, com suporte dos professores Williame Farias, Tarciso Cabral, Cristina Crispim e Gilson Barbosa. A análise se deu por meio de coletas em equipamentos de climatização instalados no campus I da UFPB, em João Pessoa. “Buscando averiguar o volume gerado, coletou-se água de 38 aparelhos de potências variadas, entre 7.500 e 80.000 BTU/h, localizados em seis tipos de ambientes: auditório, bibliotecas, copiadoras, salas administrativas, salas de aulas e laboratórios. Mesmo sem tratamento especial, a água clara gerada apresentou-se como uma solução bastante viável”, conta Jéssika. Economia A pesquisadora da UFPB afirma que, de maneira sistêmica, planejada e bem projetada, é possível, com o aproveitamento do recurso saindo do ar-condicionado, além de atender questões ambientais, obter economia financeira na instituição. “Boa parte da água utilizada na UFPB é oriunda da concessionária de abastecimento de água. Com a crescente escassez hídrica, fontes alternativas de água vêm surgindo ano após ano. Como um exemplo dessas fontes, tem-se o vapor d’água e as gotículas presentes no ar atmosférico, que são extraídas por máquinas através da condensação do ar”, explica. Segundo Jéssika, os aparelhos de ar-condicionado usam processos bem similares ao das máquinas de condensação do ar, mas, comumente a água – nomeada pela NBR 16.783/2019 de água clara – é desprezada. “Surgiu a ideia de averiguar o volume e a qualidade da água clara gerada por esses aparelhos de climatização, tão usuais ao nosso cotidiano. Através das 188 coletas na UFPB, foi observado que, quanto maior a potência dos aparelhos, maior tende de ser o volume gerado”, diz a pesquisadora. Pesquisa Na análise realizada pela pesquisa, foram coletadas, por exemplo, vazões entre 0,20 e 6,81 L/h (Litro por hora), dos aparelhos de 7.500 e 80.000 BTU/h, respectivamente. No entanto, os pesquisadores registraram vazões com valores discrepantes em um mesmo aparelho ou em aparelhos de potência idêntica. “Logo, foi notado que, além da potência, a umidade relativa do ar, principalmente do ar interno, e a carga térmica (calor sensível e calor latente) do local também têm influência sobre o volume gerado”, destaca. Jéssika de Oliveira argumenta que as discrepâncias no volume de água dos aparelhos idênticos podem acontecer diante de fatores como fluxo de pessoas, instalações mais próximas à entrada do local e funcionamento ininterrupto dos aparelhos. Também por causa de possíveis pontos de infiltração de ar. Os equipamentos dispersadores de ar, releva a pesquisadora da UFPB, tendem a elevar ou diminuir a carga térmica e a umidade relativa do local e, consequentemente, o volume produzido. Já a marca dos aparelhos, segundo ela, aparentou nenhuma influência na mudança da quantidade produzida. LEIA TAMBÉM: PETROBRAS: REFINARIA DUQUE DE CAXIAS (REDUC) PASSA A UTILIZAR ÁGUA DE REÚSO E REDUZ EM ATÉ 5% DO CONSUMO DE ÁGUA BRUTA DA REFINARIA. Na pesquisa, com intuito de auxiliar projetos que visem o uso dessa fonte alternativa, uma equação foi construída para estimar a vazão produzida de água clara através da umidade relativa do ar interno e da potência dos aparelhos. Para verificar a qualidade da água clara, foram coletadas amostras em seis aparelhos, sendo feita a análise dos parâmetros em parceria com a Coordenadoria de Medições Ambientais, da Superintendência e Administração do Meio Ambiente (Sudema). “Os parâmetros físicos e químicos analisados (cor, turbidez, pH, condutividade e sólidos totais dissolvidos) estão todos em conformidade com a NBR 16.783/2019, a norma pertinente às fontes alternativas de água, e com os padrões estabelecidos na legislação referente à potabilidade da água”, ressalta. Quanto à análise microbiológica da água dos aparelhos de ar-condicionado, distingue Jéssika, houve a presença de “coliformes termotolerantes” em todas as amostras. Mas os valores se mostraram abaixo dos limites permitidos pela norma brasileira NBR 16.783/2019. “Com um simples tratamento, filtração e cloração, passa a haver possibilidade de conformidade quanto à potabilidade da água”, acredita a pesquisadora da UFPB. Recurso No trabalho, foi analisada também a percepção ambiental da população sobre a água clara. Os pesquisadores constataram que o ar-condicionado é um item bastante comum no dia-a-dia de 137 participantes da pesquisa. “99,3% dos participantes afirmaram ter contato com ambientes climatizados (automóveis também foram considerados) pelo menos uma vez por semana. Apesar disso, apenas 23% já usaram ou usam a água clara, sendo a rega de jardins e lavagem de áreas externas os usos mais comuns”, acentua Jéssika. A pesquisadora da UFPB assevera que, quando questionados sobre o possível volume gerado por um aparelho de 12.000 BTU/h, 76% dos participantes da pesquisa responderam que seria menor que 1L/h. “Na pesquisa realizada foram registradas vazões médias de 1,137 a 2,047 L/h. Logo, pode-se notar que, apesar de ser tão usual, o “subproduto” gerado pelo processo de climatização ainda é um recurso pouco observado e explorado”, contrasta Jéssika. A partir de um inventário disponibilizado pela Gerência de Manutenção e Equipamentos (GME) da UFPB, os pesquisadores constataram uma quantidade de 3.258 aparelhos do modelo split na instituição. Os aparelhos com potências de 12.000, 18.000 e 24.000 BTU/h foram os mais presentes. “Pela pesquisa realizada, esses aparelhos possuem vazões médias de água clara entre 1,37 e 2,41 L/h, sendo o volume produzido escoado para o sistema de esgoto. Ou ainda, de forma errônea, despejado nas calçadas, o que pode causar até danos às estruturas das edificações”, lamenta a pesquisadora da UFPB. Fonte: Jornal da Paraíba.

Empresa privada de saneamento reduz desperdício de água pela metade

O sistema de abastecimento de água no Brasil, com a maior parte do volume (70%) gerido por companhias públicas, perde, em média, 38% do produto com vazamentos e ligações clandestinas na distribuição. Em alguns estados, como Roraima, o desperdício chega a 75%, de acordo com dados do setor —a média, na região Norte, é de 60%. O prejuízo causado pelas perdas em todo o país é estimado em R$ 10 bilhões por ano. Empresas privadas conseguem a reduzir o desperdício a menos da metade (16%). As novas regras de saneamento vão permitir a privatização mais ampla de serviços. Imagine uma montadora que produz dez carros e joga fora quatro. Há duas formas de perda: a física, por vazamentos, e a não física, por roubo de água, com ligações clandestinas e medidores de água descalibrados.Paula Vilela, pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Na Bahia, desperdício de 40% a 50% Na Bahia, a Embasa, empresa pública de saneamento básico, oferece cobertura para 79% dos domicílios em distribuição de água e 36% dos domicílios em tratamento de esgoto, entre 368 dos 417 municípios baianos. A taxa de desperdício local é de 40% a 50% da água tratada pelas estações da companhia, a maior parte por inadimplência, segundo o secretário estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, Leonardo Góes Silva. Segundo ele, com o novo marco regulatório do Saneamento Básico, sancionado no último dia 15 e que prevê a abertura comercial do setor, a Embasa deve promover a venda de 49% do capital da empresa na Bolsa, para melhorar a eficiência da empresa. Estamos estudando parcerias no intuito de alavancar investimentos e cumprir as metas estabelecidas no novo marco legal. O Estado brasileiro, sozinho, não me parece capaz de fazer os investimentos necessários para universalizar o acesso aos serviços do setorLeonardo Góes Silva Limeira (SP): universalização e desperdício de 1º mundo Em Limeira (SP), a primeira concessão do setor à iniciativa privada no Brasil, há 25 anos, rendeu a universalização do acesso ao sistema de água e esgoto antes da meta prevista no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), de 2013, que prevê tais benefícios para, respectivamente, 99% e 90% da população brasileira até 2033. Atualmente, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e 100 milhões, às redes de esgoto. “Em Limeira, já está universalizado”, comenta o diretor-regional da BRK Ambiental em São Paulo, Fernando Mangabeira, responsável pela operação no interior paulista. “Agora, estamos aprimorando o tratamento de esgoto, de forma terciária, em função de uma tecnologia holandesa que permite a remoção de 95% dos poluentes.” A companhia está presente em 12 estados e 112 municípios brasileiros, nos quais investe em média R$ 1 bilhão por ano. A média anual de todo o investimento público do setor no país é de R$ 12 bilhões. O nível de desperdício de água da operação em Limeira é equiparável aos melhores sistemas de tratamento de água do mundo: 16%. No ano passado, a empresa investiu R$ 35 milhões na redução de perdas. Até 2024, pretende investir R$ 250 milhões em todas as operações para manter ou reduzir o desperdício. Em Campo Grande, desperdício caiu de 57% para 19% Em Campo Grande (MS), a Aegea, empresa privada presente em 12 estados e 57 cidades, atingiu a universalização do sistema de distribuição de água municipal com R$ 1,2 bilhão em investimentos desde 2010. O desperdício foi reduzido de 57% para 19%. O serviço de esgotamento atende, hoje, 80% da população, segundo o vice-presidente de relações institucionais da companhia, Rogério Tavares. No mundo inteiro, você tem perdas de água, inclusive no Japão. É impossível reduzir as perdas a zero. Um bom resultado é de 15% a 20%.Rogério Tavares “No lado do setor público, depende de quem você está falando. Há perdas na ordem de 60%. Mas também tem perdas parecidas como a nossa de Campo Grande. A perda média é de 38%”, lembra. Procurada pela reportagem, a Sabesp, responsável pelo abastecimento em São Paulo e maior operadora pública do setor no país, não se manifestou até a publicação deste texto. Eficiência exige fiscalização Para os especialistas do setor, a abertura comercial que será promovida pelo novo marco regulatório, por meio de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões, é a melhor forma de reduzir o desperdício e aumentar a eficiência dos sistemas de distribuição e tratamento de água e esgoto no Brasil. Hoje, as empresas privadas investem duas vezes mais que as empresas públicas com as mesmas tarifas, o que é um bom indicador de eficiênciaPaula Vilela, pesquisadora da USP Nos sistemas de esgotamento, o problema é a fiscalização do despejo irregular nos rios, segundo o pesquisador Carlos Eduardo Tucci, da UFRJ. A proporção da carga lançada nos rios continua muito alta. A questão principal não é se a empresa é pública ou privada, mas se o serviço é bom. O que garante se o serviço é bom é fiscalização, com amostragem. Grande parte do serviço público não tem fiscalização. No abastecimento, a segurança é um pouco maior. Mas, no esgoto, esse padrão é baixo.Carlos Eduardo Tucci “O mercado passará por uma transição. A eficiência vai aumentar desde que haja uma boa regulação”, declara. FONTE: https://economia.uol.com.br/noticias