Sistema de Tratamento e Aproveitamento de Água de Chuva

O Grupo Acqua finalizou mais uma instalação de Sistema de Tratamento e Aproveitamento de Água de Chuva. Este empreendimento residencial, localizado no bairro do Socorro, zona Sul de São Paulo, conta com uma vazão de tratamento de 2m3/h e a economia prevista mensal é de até 45 m³/mês. A água coletada nos telhados do empreendimento, com área total de 1.186 m², será tratada e utilizada na irrigação de áreas verdes no empreendimento residencial com duas torres. O sistema opera com eficiência plena e conta com a assistência e monitoramento técnico mensal fornecido pela empresa AcquaBrasilis através de um contrato de manutenção preventiva.

Os muitos benefícios do tratamento de esgoto

O acesso aos serviços de saneamento básico é um direito de todos os brasileiros, conforme está definido na Constituição Federal de 1988 e na Lei número 11.445/2007. E não há como desconsiderar os esforços na área ao longo dos últimos anos, embora não tragam resultados expressivos. De acordo com os dados do Instituto Trata Brasil – organização dedicada a estudos e pesquisas sobre saneamento básico e proteção dos recursos hídricos –, de 2010 a 2018 (relatório de 2020) a quantidade de brasileiros sem acesso à água, por exemplo, diminuiu de 19% para 16,4%. Mas hoje, ainda são mais de 33 milhões de brasileiros sem água potável em suas residências. Em relação ao esgoto, 46,9% não dispõem de serviço de coleta e 46,3% não contam com esgoto tratado relacionado à água consumida. Para se ter uma ideia desse problema, são despejados diariamente no meio ambiente uma quantidade que encheria 5.730 piscinas olímpicas. O presidente do Trata Brasil, Édison Carlos, acredita que é necessário investir mais em políticas públicas e em ações voltadas ao setor. “É preciso evoluir porque se continuarmos no ritmo atual o País demorará pelos menos mais 50 anos para universalizar os serviços de saneamento”, afirma. Levar água potável às pessoas, coletar e tratar esgotos, segundo o especialista, é a iniciativa mais elementar e mais importante de uma cidade. “Entre outros benefícios, previne doenças e protege o meio ambiente.” Ele explica que quando um município não tem essa estrutura à disposição, ao sair das casas o esgoto contamina o solo e os recursos hídricos, como córregos, rios e oceano. “E também leva adiante causadores de verminoses, parasitoses, leptospirose, dengue e outras doenças, sobrecarregando lá na ponta o sistema de saúde.” Aliás, em tempos de pandemia pela Covid-19, o acesso ao saneamento é ainda mais relevante, porque a falta de água impossibilita uma higienização adequada das pessoas, algo considerado essencial para combater o vírus. Desenvolvendo cidades A falta de acesso à água e ao tratamento de esgoto também traz impactos negativos ao desenvolvimento das cidades. Isso devido às enfermidades relacionadas tirarem pessoas do trabalho e das escolas, e a poluição desvalorizar imóveis, afastar turistas e novos investimentos. Como resultado, influencia na expectativa de vida, de renda e de escolaridade, aspectos que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ferramenta usada pela Organização das Nações Unidas para definir o grau de desenvolvimento de determinada sociedade. “Quanto maior a presença de saneamento maior será o IDH”, reforça Édison. Ele cita uma conclusão de um estudo do Trata Brasil sobre o tema: “Se o País investir em torno de R$ 500 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto os benefícios sociais e econômicos passarão de um R$ 1 trilhão”. Marco do saneamento Com a nova Lei número 14.026/2020, sancionada neste ano e que atualiza o marco legal do saneamento básico no Brasil, há a expectativa dos indicadores de abastecimento, coleta e tratamento evoluírem consideravelmente nesta e na próxima década. Com as novas regras, a meta nacional é possibilitar a 99% dos brasileiros terem acesso à água potável e 90% à rede de esgoto até o ano de 2033. Para isso ocorrer, todas as operadoras deverão comprovar, até março de 2022, suas capacidades técnica e financeira de levar seus municípios a esses esses novos indicadores. Se não conseguirem confirmar os requisitos, serão abertas licitações para que outras empresas possam prestar os serviços à população. “É uma lei muito bem-vinda, exigindo gestões mais eficientes por parte das instituições públicas ou privadas responsáveis pelo saneamento”, completa Édison Carlos. Nova gestão de coleta e tratamento na região Na Região Metropolitana de Porto Alegre, embora o acesso à água potável seja maior que a média nacional (apenas 6,7% da população não é atendida), somente uma entre três residências está coletando e tratando os resíduos de forma correta. Mudar essa realidade é o desafio da Ambiental Metrosul – uma das concessionárias da empresa Aegea Saneamento – ao assumir a partir deste ano os serviços de coleta e tratamento de esgoto em nove municípios vizinhos: Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Eldorado do Sul, Esteio, Gravatai, Guaiba, Sapucaia do Sul e Viamao. Por meio da Parceria Público-Privada (PPP) com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), a Ambiental Metrosul suprirá a demanda de uma população estimada de 1,6 milhao de habitantes. A proposta é elevar a cobertura média de esgoto de 36% a 87,3% já nos 11 primeiros anos dos 35 de concessão, ajudando a diminuir a taxa de poluição dos rios Caí, Gravataí e dos Sinos. “A sinergia entre as equipes da Ambiental Metrosul e da Corsan facilita o avanço dos trabalhos e o cumprimento de todos os prazos previstos. Há o interesse comum de oferecer à população local mais acesso à saúde por meio da eficiência e da qualidade da prestação dos serviços”, destaca Ângelo Augusto Mendes, diretor-presidente da Ambiental Metrosul. O QUE ELES DIZEM Há o interesse comum de oferecer à população local mais acesso à saúde por meio da eficiência e da qualidade da prestação dos serviços. Ângelo Augusto Mendes – diretor-presidente da Ambiental MetrosulSe o País investir em torno de R$ 500 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto os benefícios sociais e econômicos passarão de um R$ 1 trilhão. Édison Carlos – presidente do Trata Brasil SAIBA MAIS A concessão permite a execução de obras de infraestrutura em esgotamento sanitário, melhorias, manutenção e operação dos sistemas. Saiba mais sobre esse tema: InvestimentosO contrato firmado entre a Ambiental Metrosul e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Corsan, prevê investimentos de R$ 1,77 bilhão, sendo R$ 1,4 bilhão da empresa, dividido em R$ 1,03 bilhão destinado à expansão do sistema de esgoto e R$ 374 milhões para ações comerciais e operacionais. A Corsan vai investir R$ 370 milhões. Volume atualHoje são 32 estações de tratamento e 96 estações de bombeamento nas nove cidades. Ao todo, 50 mil m³ de esgoto são tratados e devolvidos ao ambiente diariamente, correspondendo a somente 36% do volume total produzido. A meta é chegar a 87,3 %

Como a economia circular pode ajudar empresas a reduzir consumo de água

O Brasil passa pela maior crise hídrica em 91 anos, e nesse cenário, autoridades estão pedindo ou promovendo campanhas para que os setores produtivos e a população reduzam o consumo de água e de luz, já que a crise hídrica também já impacta na geração de energia. Dentre as alternativas, a chamada economia circular oferece técnicas a empresas que podem ajudar a evitar novas crises e amenizar a atual. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) de 2017 mostram que os setores de irrigação, uso animal e de indústrias possuem os maiores consumos de água. Em relação ao retorno da água aos corpos hídricos (rios e cursos subterrâneos), o setor de abastecimento urbano é o que devolve a maior quantidade, seguido pelo de irrigação. Especialistas consultados pela CNN Brasil apontam que os setores empresariais ainda possuem espaço para economizar água e devolver quantidades maiores ao meio ambiente. Para isso, porém, é necessário uma visão mais sistêmica desse consumo, e é aí que entra a economia circular. Da economia linear à circular Renata Nishio, gerente técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), explica que o modelo econômico predominante atualmente é linear. “Você consome qualquer item e no fim joga no lixo e vai parar em algum lugar em que nada dele é absorvido”, diz. Ela afirma que esse modelo acaba levando a um desperdício do esforço de produção daquele produto e dos recursos utilizados nesse processo. Foi a partir da tentativa de reverter esse desperdício que surgiu a economia circular. “Economia circular é fazer os recursos voltarem de alguma forma”, explica. Nishio diz que a economia circular propõe um fluxo em que os recursos e os produtos ligados às cadeias produtivas de empresas conseguem ser sempre reaproveitados. Se na economia linear um produto tem um “fim de vida”, na economia circular ele passará por processos como “redução, reuso ou reciclagem”, que o mantém nas cadeias produtivas. Nesse sentido, Aldo Roberto Ometto, professor da EESC-USP e coordenador do centro de pesquisa em Economia Circular do InovaUSP, vê a economia circular como um novo modelo econômico. “A primeira grande mudança é que, ao invés de verificar, como na economia linear, processos e como buscar melhorá-los, surge a visão de ter algo mais sistêmico, e que precisa de colaboração e organização ampla para funcionar”, afirma. A ideia da economia circular, portanto, é ir além de iniciativas de reuso e reciclagem que já são praticadas desde a década de 1980, oferecendo uma visão que integre diferentes empresas, setores e cadeias produtivas para reaproveitar recursos que, hoje, estão sendo desperdiçados. Para integrar as cadeias de fornecimento, é preciso olhar para quem vende e quem consome seus produtos, encontrando e incentivando formas de reaproveitar e economizar recursos em todas essas áreas. Mas a economia circular também busca melhorar os processos produtivos, com um esforço para desenvolver novas tecnologias e formas de produção que reduzam ao máximo o consumo de recursos naturais, e que consigam até retirar por completo a necessidade de utilizá-los. Ometto explica que a economia circular ganhou forças nos últimos anos após um relatório de 2014 do Fórum Econômico Mundial, que colocou a ideia como “a solução para acelerar e escalar as cadeias de suprimento globais”. “É por ela que a economia consegue gerar valores sem necessariamente se limitar aos recursos físicos, que são finitos”, diz. “Surgem modelos como compartilhamento, recuperação de produtos, insumos renováveis e produtos como serviços”, afirma o professor da USP. Ele considera que a economia circular “muda a visão de negócio da empresa”, mas que ela demanda uma metodologia própria, analisando fluxos e identificando como os recursos são usados e podem ser melhorados. Ou seja, a economia circular é uma forma de manter e expandir os níveis de produção atuais, mas evitando um consumo e desperdício maior de recursos. Entre esses recursos finitos está a água, que pode ser beneficiada por essa visão sistêmica. Melhoria de saneamento é essencial para economia de água Para Ometto, essa visão sistêmica que a economia circular traz, ou seja, ir além da própria empresa, quando aplicada ao recurso hídrico, mostra que a principal forma de reduzir o consumo e o desperdício desse recurso depende de infraestrutura. Ele aponta os altos níveis de locais sem água tratada, o desperdício de água durante seu transporte e a baixa qualidade em alguns locais. “No Brasil, 46% de todo o esgoto gerado não é tratado, esse é o dado mais importante, porque não é reutilizado e ainda contamina água e rios, é o pior caso de economia circular que podemos dar de exemplo”, destaca Nishio. “Estamos fazendo com que a água se torne lixo, esse é o grande risco para o Brasil”. A água que acaba sendo desperdiçada poderia ser enviada para estações de tratamento que conseguem deixá-la a níveis até de potabilidade, além de permitir usos em outras etapas da cadeia, como para aquecimento e resfriamento. Nishio considera que existem chances dessa prática aumentar após a aprovação do Marco do Saneamento, que cria diretrizes nacionais para a regulamentação e aplicação da água de reuso. “O grande impacto para a indústria ao utilizar a água de reuso é que os seres humanos sempre vão produzir esgoto, e usar essa água tratada dentro dessa planta, em seus processos, faz com que você deixe de utilizar água das bacias e rios da região, sai do risco de escassez hídrica. Mas depende de uma infraestrutura de transporte para isso, e não é barata”, diz. Para Nishio, as empresas já possuem hoje diversas medidas internas que buscam economizar água, tornar processos mais eficientes e reaproveitar o recurso. Assim, é necessário sempre buscar a melhoria desses processos, mas também ir além. “Não adianta hoje a empresa fechar o circuito de água e achar que já fez sua parte, porque pode nem haver água para consumir”, afirma Ometto. Assim, ele defende ações que vão além de economias internas. Uma delas seria as próprias empresas investirem na melhora de tratamento de água nas cidades em que atuam, já que a melhora da qualidade de água também torna os processos mais eficientes. O

Professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Cortês, avalia que falta comunicação do governo de São Paulo e da SABESP junto à população

O principal reservatório de água para região metropolitana de São Paulo está em alerta. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 7 milhões de pessoas por dia, atingiu 38% de volume útil. Para o professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Cortês, a atual emergência hídrica na região é mais severa do que a enfrentada na década passada. “Ela é pior do que a de 2013 porque hoje nós temos 20% menos água armazenada do que no período anterior”, disse à CNN. Como solução, Cortês sugere que a Sabesp retome algumas ações, como a de bônus que premia a economia de água. “Portanto, quem gastasse até o limite da sua média mensal, teria um preço por metro cúbico menor do que a tarifa normal. E quem gastasse acima da média, teria uma sobretaxa em todo o consumo. Isso foi muito útil para reduzir o consumo”, explica. “A Sabesp tem uma ação com grandes consumidores, em que ela oferece uma tarifa diferenciada, desde que estes grandes consumidores, como shopping centers, indústrias, mantenham o consumo muito elevado. O que é um contra senso num momento de escassez que estamos enfrentando agora.” O professor avalia que falta comunicação do governo de São Paulo e da própria Sabesp junto à população a fim de informar com exatidão os dados e o real cenário, já que é provável que no final do ano os reservatórios estejam em 20%. “As diversas projeções que vêm sendo apresentadas pelo Comitês das Bacias Hidrográficas do PCJ, que atende Campinas, pelo Cemanden, e nas projeções da própria Sabesp, que foram apresentadas esta semana em um evento no Instituto de Estudos Avançados da USP, dão conta de uma gravidade muito grande, muito intensa. As projeções dão conta que nós poderemos chegar no final do ano com um volume pouco acima de 20%.” Além disso, ele acrescenta que apesar de evitarem o uso do termo “racionamento”, ele já vem sendo aplicado. “A Sabesp informa diariamente em seu site onde ela reduz a pressão para determinados bairros ao longo do dia, durante várias horas, e se a localidade é muito distante, chega a cortar essa água, e isso é uma forma de rodízio que vem já penalizando a população depois da crise hídrica e eu acredito que a SABESP venha a intensificar essa prática.” Fonte: CNN

Captação de água em Salto (SP) zera e moradores enfrentam torneiras secas

Quem tentou abrir a torneira para lavar a louça ou até cozinhar em Salto, cidade a 80km de São Paulo, não conseguiu fazer nada disso. Toda a cidade está hoje sem abastecimento de água porque a captação está praticamente zerada. Quando o auxiliar de produção Ricardo Porto, 32, que mora no bairro Jardim Primavera, foi se arrumar para trabalhar hoje, notou que algo estava errado. “Fui escovar os dentes e, quando abri a torneira, não saiu nada. Como sabia que aquela é de água que vem da rua, abri o chuveiro, que tem água da caixa, e tinha. Aí percebi que seria um dia difícil”, afirma. Não só para ele. Toda a cidade, que tem aproximadamente 120 mil habitantes, está sem água “pelos próximos dias”. A decisão foi tomada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), depois da avaliação de um índice preocupante. Aproximadamente 80% da cidade é abastecida pelo Ribeirão Piraí. Hoje, a água não chegou nem ao número 0 da régua de medição, e as bombas não conseguiam chegar no pouco que sobrou. “A equipe técnica que monitora o Plano de Racionamento, decidiu fechar a cidade toda, como medida emergencial, para evitar o colapso do sistema e conseguir recuperar o nível dos reservatórios para os próximos dias”, informa o órgão. Há 100 dias não chove no município, que já tinha adotado o racionamento há cerca de um mês. A partir de amanhã, inclusive, um esquema ainda mais rígido começa a funcionar. A cidade foi dividida em quatro grupos, considerando bairros mais populosos e os que ficam em áreas mais altas da cidade, e a divisão por ETA (Estações de Tratamento de Água). Um grupo de cada ETA ficará sem água das 8h às 20h. O outro grupo, das 20h às 20h do dia seguinte. “Falta chuva, o tempo está seco. Tem muita gente que desperdiça. Está complicado”, finaliza o auxiliar de produção. Falta de água na cidade vizinha Em Itu (SP), que fica ao lado de Salto, a falta d’água lembra a situação de 2014, quando houve até quebra-quebra e confusão durante protestos por causa do racionamento, que durou mais de 10 meses. “Vou ser sincera: tenho medo de ter que comprar um caminhão-pipa com os vizinhos de novo”, lamenta a empresária Daiane Alcântara, que vive no bairro de Jardim Novo Itu. Há sete anos, um grupo da rua se juntou para a comprar água de um caminhão-pipa para garantir o abastecimento nas casas. Na época, fez com que até as empresas do ramo tivessem que se adaptar à nova rotina. O novo rodízio de água começou em 1º de agosto, e foi aumentado na última quinta-feira. Agora, o abastecimento é feito um dia sim, dois dias não. Segundo a CIS (Companhia Ituana de Saneamento), quatro das nove bacias de captação de água estão com 5% da capacidade. Racionamento é “quase certo” em Valinhos Valinhos, na Região Metropolitana de Campinas (SP), é a primeira cidade da região a anunciar abertamente a possibilidade de racionamento, que será decidida nesta segunda-feira. Hoje falta água desde o começo da manhã nos bairros mais altos do município, que tem mais de 130 mil habitantes. Caminhões-pipa estão sendo utilizados para abastecer as caixas d’águas existentes nessas regiões, porém duas das quatro barragens municipais estão com menos de 30% da capacidade — uma delas está com apenas 5%. “Enfrentamos um cenário de estiagem severa, tal como todo o Sudeste do Brasil. Frente à soma de fatores de clima, falta de chuvas e alto consumo, Valinhos está sim caminhando ao sistema de rodízio de fornecimento de água”, disse o presidente do DAEV (Departamento de Água e Esgoto de Valinhos), Ivair Nunes Pereira. Fonte: Notícias UOL

Singapura se impõe como modelo mundial de tratamento de águas residuais

Quase 80% das águas residuais do mundo são despejadas na natureza sem nenhum tratamento, com todos os riscos à saúde que isso acarreta. Em um momento em que o aquecimento global ameaça nossos recursos hídricos, Singapura recicla 40% de suas águas residuais e quer aumentar ainda mais essa porcentagem Olhando para o clima em Singapura, é difícil perceber sique o país está sob estresse hídrico, admite o professor Shane Snyder, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental e Hídrica. “Chove o tempo todo, mas falta água, parece loucura! Mas faz sentido: Singapura é um país pequeno com uma das maiores densidades do mundo. Então não há espaço para coletar essa água da chuva. Há infraestrutura para dessalinizar a água do mar, mas isso consome muito mais energia do que reciclar a água residual”, explica. Assim, a água que vai para os vasos sanitários percorre quilômetros de canos, bombas, filtros e raios ultravioleta para então emergir límpida e potável nas torneiras de indivíduos e de muitas indústrias que precisam de água de pureza absoluta. Uma metamorfose sem fim da qual Singapura se orgulha, conforme mostrado em um vídeo da Agência Nacional de Águas. “Reciclar águas residuais é um pouco como mágica ou alquimia. Ninguém quer esgoto, e nós estamos transformando-o em um recurso útil e valioso”, orgulha-se o vídeo promocional. Bom investimento Para o professor Snyder, a maneira de Singapura economizar seus recursos hídricos é difícil de comparar e de replicar. “Muitas vezes as cidades esperam enfrentar crises ambientais terríveis para dizer a si mesmas: ‘provavelmente seria bom reciclar a água’. Mas, infelizmente, criar esse tipo de infraestrutura leva muito tempo”, explica o especialista. Singapura, por sua vez, investiu mais de € 6 bilhões para tentar tornar seus 728 quilômetros quadrados de terreno mais hidraulicamente independentes. Fonte: Bol

Você sabe o que significa ESG?

O termo ESG é a sigla, em inglês, para “Environmental, Social & Governance” que, traduzido para o português, significa Ambiental, Social e Governança. A expressão, geralmente, é usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança que uma empresa aplica,  demonstrando o quanto o negócio procura agregar de forma a: Minimizar seus impactos no meio ambiente; Construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas à sua volta; Manter os melhores processos de administração. Por meio desses critérios, o termo ESG tem como meta ajudar a determinar melhor o desempenho financeiro futuro das empresas. Por que devemos nos importar com o ESG? Sustentabilidade ou resultados: quem disse que precisa escolher só um? Pois bem, engana-se quem pensa que construir um mundo mais sustentável não significa, também, ter bons resultados financeiros em uma empresa. Pelo contrário: cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social e adotar melhores práticas de governança são, sim, fatores que ajudam no balanço das empresas – e esse é um dos motivos para que a sigla ESG tenha se tornado popular. Aliás, os princípios da ESG vêm se mostrado lucrativos e interessantes para o mercado empresarial, já que, além de contribuir para um mundo mais ético, saudável e justo, mostraram-se associados a benefícios como redução de custos, solidez e resiliência – fatores mais que bem-vindos, especialmente, em um contexto de pandemia. Deste modo, empresas com o ESG implementado tem atraído cada vez mais investidores, sendo constantemente valorizadas. Desta forma, conseguimos entender que o valor agregado do ESG ajuda a maximizar retornos e minimizar riscos, construindo um mundo melhor no processo. Como funciona? Para um empresa estar adequada aos parâmetros do ESG, geralmente, são observados e estudados fatores como: Ambientais: uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes; Sociais: políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados; Governança: independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, ética e transparência. ESG e investimentos   A tendência mundial é a adoção de práticas de ESG pelas companhias que pretendem permanecer rentáveis no mercado, em longo prazo . Isto, porque, além de ajudar a manter a lucratividade delas, os investidores estão de olho nessas iniciativas e as consideram cada vez mais prioritárias na hora de sua escolha para alocação de ativos. De forma mais resumida, ESG pode ser usado para investimentos com critérios de sustentabilidade e sobrevivência no longo prazo da companhia. Ou seja, em vez de analisar apenas índices financeiros, por exemplo, investidores também observam fatores ambientais, sociais e de governança de uma companhia. Isto, porque, os investidores procuram ativos seguros para investimento e hoje enxergam que, quando os parâmetros regidos pelos parâmetros do ESG não são obedecidos, as empresas tendem a ter lucro e vida útil menor, além de perder comparativamente para outras. Está curioso para saber mais sobre como aplicar nesse tipo de negócio? Então, no Brasil, uma boa alternativa para quem deseja investir em empresas comprometidas com a sustentabilidade são os fundos de investimento. Conhecidos como ‘fundos ESG’, não é de se estranhar que essa opção tem ganhado cada vez mais atenção, mesmo não chegando a ser uma novidade no mercado. Muitas entidades e ativistas já pressionam empresas e governos, há décadas, para diminuir emissões de carbono e poluentes. Hoje, as empresas buscam soluções e mudanças para se alinharem a este novo propósito.

Estudo indica que 8% da superfície terrestre pode afundar em menos de 20 anos

Até 2040, pelo menos 8% da superfície terrestre deve afundar, segundo um estudo publicado na revista científica Science. A pesquisa sugere que cerca de 12 milhões de quilômetros quadrados de terra estão ameaçados, com uma probabilidade de isso acontecer que passa dos 50% – e que afetaria mais de 635 milhões de habitantes. Segundo os pesquisadores, o problema será causado por um fenômeno geográfico conhecido subsidência, causado pelo rebaixamento da superfície de um terreno por conta da extração de água, petróleo e gás do subsolo subterrâneo. As áreas mais afetadas, de acordo com os estudos, serão as próximas a locais urbanos e irrigados, com alto nível de estresse de água e grande demanda em relação à água encontrada no subsolo, como, por exemplo, locais na Ásia e na América do Norte. “A subsidência reduz permanentemente a capacidade de estoque do sistema aqüífero, causando fissuras na terra, prejudicando prédios e infraestruturas civis, além de aumentar a suscetibilidade e o risco de inundações”, explicam os pesquisadores. A demanda por água subterrânea já tem causado implicações sérias para a humanidade – e deve aumentar nas próximas décadas. A cidade que afunda mais rápido no mundo inteiro está localizada no Irã e, a cada ano, fica 25 centímetros mais funda por conta de um bombeamento irregular. Na Europa, o local mais impactado são os Países Baixos, onde a subsidência é responsável por colocar 25% do país abaixo do nível do mar, o que aumenta o risco de inundações. Em outros continentes, como é o caso da África, da Austrália e da América do Sul, os riscos da subsidência são menores devido ao esgotamento das águas subterrâneas. Os maiores riscos para a população estão na Ásia (com 86% da população provavelmente exposta à subsidência) e na América do Norte e na Europa (ambos continentes com 9%). Os resultados, de acordo com os pesquisadores, mostra que 97% da população exposta globalmente está concentrada em 30 países – sendo que a Índia e a China são as líderes em termos de extensão e população exposta. Fonte: Exame

Por que falta água na Amazônia

No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição, mas, em pleno 2021, esse ainda é um dos nossos grandes desafios. Há pelo menos um ano, todo mundo fala em lavar as mãos como o cuidado mais básico para evitar o contágio pelo novo coronavírus. No entanto, para quase 35 milhões de brasileiros o abastecimento de água tratada não é uma realidade. Além disso, os números escancaram a diferença entre as regiões. Segundo o Trata Brasil, que faz um levantamento anual, enquanto no Sudeste mais de 90% da população tem água tratada, no Norte só 57% das pessoas têm acesso a esse serviço. Se falamos de esgoto, a situação na região é ainda pior: pouco mais de 10% da população é atendida por uma rede de coleta. Segundo o Trata Brasil, 633 milhões de pessoas no mundo continuam sem acesso a uma fonte de água potável e há 2,4 bilhões de pessoas no mundo vivendo sem saneamento adequado. Esse é um assunto tão importante que está entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU — é o número 6 da lista. Voltando ao Brasil, a pergunta é: como pode ser possível que um país banhado por rios sofra com falta de água e esgoto? Basicamente, porque, historicamente, nossos governos não investiram o suficiente na construção e manutenção de infraestruturas que garantam esse abastecimento, especialmente nas regiões mais pobres, que também não são a prioridade de investimento do setor privado. “As carências de saneamento no nosso país estão justamente onde vivem as pessoas mais pobres, nas favelas, nos morros, nas palafitas, nas periferias das grandes cidades e na área rural, que não são localidades que garantem o lucro que o setor privado almeja”, explica o secretário-executivo do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), Edson da Silva. Ou seja, para que o desenvolvimento chegue a essas regiões, elas precisam, primeiro, ter infraestruturas básicas. O que podemos fazer para resolver o problema? Para Edson da Silva, a população que vive nas áreas mais carentes tem muito a nos ensinar sobre as soluções e o primeiro passo é ouvi-la. Além disso, ele acredita que o poder público precisa investir em um programa de revitalização dos operadores e garantir recursos perenes para essa área. Os números mostram que investir em saneamento compensa. A Organização Mundial da Saúde estima que, no Brasil, cada R$1 investido em saneamento poderia gerar uma economia de R$4 na saúde. Se falarmos em Amazônia, por exemplo, no lugar de investir em projetos milionários com alto impacto social e ambiental, fica claro que nossos governos precisam, primeiro, pensar em obras de infraestrutura que realmente melhorem a qualidade de vida de quem vive na região. Além disso, precisamos lembrar que a parte social é um pré-requisito para resolver a questão ambiental. Afinal, o investimento em infraestrutura também gera outros empregos que não sejam relacionados à destruição da floresta. Empregos esses que são pulverizados em várias localidades e não em um só lugar, como na construção de uma hidrelétrica. E muitos desses postos de trabalho são permanentes, com pessoas que vão trabalhar na manutenção da rede de saneamento e toda a cadeia do turismo, que também se torna um investimento mais interessante onde há infraestrutura básica. Esse é o assunto do sétimo episódio do podcast Infraestrutura Sustentável, que foca na Amazônia, mas também explica porque o Novo Marco Legal do Saneamento, aprovado em julho de 2020, não contribui muito para melhorar a situação. O programa pode ser ouvido no Spotify e também no site do GT Infra. “Um país só atinge o seu grau pleno de desenvolvimento quando ele não tiver mais nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum idoso e nenhuma criança sem acesso à água e ao esgoto”, afirma Edson da Silva. Fonte: Exame

Pior crise hídrica em 91 anos impulsiona mercado de GNL no Brasil

A pior crise hídrica do Brasil em quase um século tem impulsionado a demanda do país por gás natural liquefeito. Com a menor geração de energia hidrelétrica, o país tem recorrido às usinas termelétricas, em parte, dependentes do combustível importado. Os desembarques de GNL dos EUA bateram recorde neste ano e a Petrobras está buscando mais quatro carregamentos da commodity no mercado à vista. A baixa dos reservatórios acontece em meio ao declínio da produção de gás da Bolívia, o maior fornecedor do Brasil. A estiagem também afeta outros países da América do Sul. O Chile está no mercado em busca de GNL e operadores especulam que a Argentina pode ser a próxima. “A América do Sul está ficando sem energia hidrelétrica por causa do clima seco, e não ficaria surpreso se compradores de toda a região estiverem comprando mais GNL”, disse Henning Gloystein, diretor global de energia e recursos naturais da consultoria Eurasia Group. “Além do Sudeste Asiático e da Índia, a América do Sul é uma área em crescimento para a demanda por gás.” As usinas hidrelétricas respondem por cerca de 70% da energia produzida no Brasil. Com a falta de chuvas, o país já importou 34 carregamentos de GNL dos EUA nos últimos seis meses, segundo dados compilados pela Bloomberg. Como comparação, 17 cargas foram enviadas para o Chile e apenas quatro para o México, durante muito tempo o principal cliente dos americanos no hemisfério ocidental. As importações brasileiras se aproximam dos níveis tipicamente vistos apenas por clientes da Ásia e da Europa. Há mais por vir. A Petrobras busca dois carregamentos para julho e mais dois para agosto, de acordo com tradings a par da licitação. A GNL Chile também quer comprar uma carga para meados de julho, enquanto a Argentina, com a chegada do inverno, pode em breve lançar uma terceira licitação para comprar o combustível nesta temporada, disseram operadores. Dependente do clima Resta saber por quanto tempo o aumento da demanda vai durar. As chuvas podem retornar e reabastecer os reservatórios, disse Ross Wyeno, analista de GNL da S&P Global Platts. Os reservatórios hidrelétricos do Brasil estavam cerca de 45% cheios em uma base média ponderada, em comparação com a média de cinco anos de cerca de 53%, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Embora o Brasil tenha importado muito GNL dos EUA este ano, não é um comprador consistente, já que sua demanda é em grande parte impulsionada pela produção de energia hidrelétrica”, disse Wyeno. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem uma visão diferente. Segundo ele, o país continuará sendo um grande mercado para o GNL nos próximos anos, principalmente devido ao papel fundamental do combustível na transição energética. A participação da energia hidrelétrica na matriz energética do Brasil deve cair para 49% até o final da década em relação a 70% agora, segundo o Ministério de Energia. O gás natural pode aumentar sua fatia no mercado dos atuais 6% para 15%. De olho no potencial do mercado brasileiro, a New Fortress Energy adquiriu no começo do ano uma série de ativos de gás no país que pertenciam a uma parceria entre a Golar LNG e a Stonepeak, em uma transação avaliada em US$ 3,1 bilhões. “O gás terá uma expansão natural nos próximos 10 anos”, disse Albuquerque. “O mercado brasileiro é competitivo porque tem grande demanda. Há oportunidades para todos.” Fonte: Exame