Bolsonaro assina decreto regulamentando novo marco do saneamento

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quinta-feira, 24, decreto para regulamentar o novo marco legal do saneamento básico no País. A medida constará em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), de acordo com o Planalto. Segundo a Secretaria-Geral, o decreto estabelece “a forma em que se dará o repasse dos recursos e o apoio técnico e financeiro da União” aos municípios para a adaptação dos serviços de saneamento. O marco do saneamento tem como objetivo a universalização do saneamento, além de facilitar a ampliação da participação privada no setor. “Considerando que a titularidade do serviço é, em regra, dos municípios, o incentivo estabelecido pelo novo marco legal à adoção de suas regras se baseia no repasse de recursos públicos da União, vinculados à observância de determinadas condicionantes”, relatou a Secretaria-Geral em nota. Segundo a pasta, o decreto prevê “uma série de atividades a serem executadas pelo ente federal ou com apoio deste com vistas à adaptação dos serviços públicos de saneamento básico, condicionadas à observância pelos entes de determinadas condicionantes”. O marco do saneamento foi sancionado em 15 de julho com veto ao trecho que permitia empresas estatais do setor renovarem por mais 30 anos os contratos de programas atuais e vencidos. A possibilidade dessa prorrogação foi o que permitiu a aprovação da proposta, que enfrentou resistência no parlamento. A polêmica sobre o assunto e a falta de acordo com o governo fez a análise dos vetos presidenciais ao marco ficar para 2021. Fonte: UOL

Municípios do Norte e Nordeste sofrem com escassez de recursos para área de saneamento básico, aponta IPEA.

De acordo com o estudo quase 1.960 municípios de todo o País passam por problemas relacionados ao orçamento, o que impede a realização de obras e investimentos para o setor A escassez de investimento na área de saneamento básico dificulta a vida da população que vive em boa parte dos municípios brasileiros. De acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 961 dos 5.570 municípios, localizados essencialmente nas regiões Norte e Nordeste do País, registram prioridade máxima para promover condições de acesso aos recursos públicos e melhorias nos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. A situação é retratada em um ranking elaborado pelo instituto, que analisa as fragilidades em investimentos públicosno saneamento básico. Segundo o coordenador do estudo e pesquisador em desenvolvimento sustentável no Ipea, Gesmar dos Santos, os municípios dessas regiões estão em destaque negativo pelo fato de serem pequenos, em sua grande maioria, com baixa arrecadação e elevada dificuldade financeira. “A baixa arrecadação desses municípios inviabiliza o contrato de novos investimentos, eles se tornam mais dependentes de recursos externos, ou seja, da União, dos estados e dos concessionários. É por isso que a as regiões Norte e Nordeste têm essa maior necessidade de recursos e apresentam maior déficit no desenvolvimento desses serviços”, explica o pesquisador. O Estudo Pelo estudo, quase 1.960 municípios passam por problemas relacionados ao orçamento, o que impede a realização de obras e investimentos para o setor. Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 35,5 milhões pessoas que vivem no Brasil necessitam de acesso facilitado à água tratada e a redes de abastecimento. “Nesse aspecto, listamos para os gestores públicos, para falar sobre o papel que se deve adotar, dez itens, que podem ser agrupados em melhoria da qualidade da informação, avanços na gestão, capacitação de funcionários das prefeituras, elaboração de parcerias, principalmente no caso do saneamento rural e projetos de pesquisa. Ainda na linha de gestão, é essencial que tenham bons projetos que possam ser, de fato, executados e ajudem na captação de recursos”, destaca Gesmar dos Santos. Por meio de nota, Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE) alega que as obras de saneamento exigem altos custos e “a grande maioria dos gestores depende de apoio financeiro estadual e federal para conseguir custear as obras e avançar nos serviços de saneamento“. Além disso, a entidade destaca a necessidade de um ordenamento territorial adequado e preservação ambiental como requisito para um serviço de saneamento ser considerado eficiente. “As nascentes não serão preservadas e há o risco de mananciais secarem, por exemplo. Ademais, a expansão urbana ordenada permite o planejamento adequado dos serviços de saneamento, minimizando impactos ambientais e favorecendo o desenvolvimento sustentável das cidades”, pontua. Serviços de Saneamento A analista técnica na área de Saneamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Priscila Bernardes, ressalta, com base na Constituição Federal, que o fornecimento de serviços de saneamento básico de qualidade é uma competência conjunta da União, estados e municípios. Além disso, ela lembra que o marco legal do saneamento básico, aprovado pelo Congresso Nacional este ano, aponta que as medidas do setor “deverão ser fomentadas, prioritariamente, pelos estados, que devem formar os blocos de regionalização”. “Serão priorizados os investimentos de capital que viabilizem a prestação de serviços regionalizados, por meio de blocos regionais, ou seja, o agrupamento de outros municípios do estado. A partir desses blocos será viabilizado o investimento no saneamento, para que visem o atendimento dos municípios”, pontua. O levantamento considerou dados que constam no Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), desenvolvido pelo Ipea em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), além do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Atlas de esgotos da Agência Nacional de Águas (ANA). Fonte: Brasil 61.

Gestão da água e efluentes nas edificações

Por Sibylle Muller Aos poucos, a sociedade brasileira começa a entender a importância da gestão dos recursos hídricos e de efluentes para a vida nas cidades. Falar sobre temas como esses em um país onde 48% da população não possui coleta de esgoto, apenas 38% do esgoto coletado recebe tratamento e, dos 5.570 municípios, 2.659 não monitoram a qualidade da água, é uma tarefa bastante complexa. Em um cenário como esse, com investimentos insuficientes do setor público, as edificações assumem papel de extrema importância para a gestão de efluentes e recursos hídricos, meio ambiente e saúde. Para ter ideia, nas regiões metropolitanas, os usos residenciais, comerciais e de serviços podem chegar a até 85% da demanda total por água potável.  O Brasil possui um conjunto de normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que regem o setor da construção civil para que as edificações sejam concebidas com desempenhosatisfatório.  A norma ABNT NBR 15.575, Edificações Habitacionais – Desempenho, publicada em julho de 2013, por exemplo, entre outras recomendações, estabelece que não deve haver risco de os sistemas prediais de esgotos contaminarem o solo ou o lençol freático e que devem estar ligadas à rede pública ou a um sistema de efluentes, que atenda as normas NBR 8160, NBR 7229 e NBR 13969.  Recomenda ainda que as instalações hidrossanitárias privilegiem a adoção de soluções que minimizem o consumo de água e possibilitem o reuso, reduzindo a demanda e minimizando o volume de esgoto conduzido para tratamento. Com relação ao reuso de água para destinação não potável, a norma também estabelece parâmetros a serem atendidos. Além da Norma de Desempenho, outras normas brasileiras da ABNT, complementam as recomendações relativas àgestão dos recursos hídricos em edificações, como a NBR 16.782:2019 – Conservação de água em edificações, a NBR 16.783:2019 – Uso de fontes alternativas não potáveis em edificações e a NBR 15.527 – Aproveitamento de água de chuva para fins não potáveis. O problema está, realmente, nas localidades onde o acesso às redes públicas de esgoto é difícil ou inexistente. Nessas situações, a AcquaBrasilis recomenda a implantação deestações de tratamento de esgoto AcquaCiclus.  São sistemas compactos de tratamento de esgoto que utilizam a tecnologia de leitos fixos rotativos (rotores) onde o funcionamento é baseado em princípios naturais de degradação da matéria orgânica. O processo permite a digestão do esgoto em presença de oxigênio, sem a necessidade de introduzir substância ou produto estranho ao processo. O novo marco regulatório do setor de saneamento básico brasileiro, sancionado pelo governo em julho de 2020, estipulou que até 2033, 99% da população deve ter água tratada e 90% acesso a sistemas de esgotamento sanitário. As metas já existiam no Plano Nacional de Saneamento Básico, aprovado em 2013, mas com menos instrumentos de fiscalização para cumprimento das medidas. A consultoria GO Associados realizou um estudo mostrando que 24 das 27 unidades da Federação precisarão ampliar a média de investimentos em saneamento para atingir as metas de universalização definidas pelo novo marco regulatório do setor. Em 17 deles, os aportes precisam ser, no mínimo, o triplo da média dos últimos anos.  Diante das carências e das metas fixadas para o setor pelo novo marco regulatório, surge a necessidade de mudanças radicais no setor de saneamento. Só com consciência, investimentos importantes e foco no setor, o País poderá assegurar seu desenvolvimento social e sanitário rumo a um verdadeiro progresso futuro.

Governo de São Paulo conclui revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos

Coordenado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, elaboração do documento contou com mais de 40 autores e 300 colaboradores; material orientará a gestão de resíduos no estado até 2035 A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) aprovou na quarta-feira (11), a revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) durante a 5ª Reunião Ordinária do Comitê de Integração de Resíduos Sólidos (CIRS), realizada virtualmente. O material orientará a gestão de resíduos no Estado nos próximos 15 anos, perfazendo o horizonte de 20 anos previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) desde a sua primeira edição. O trabalho de atualização, que começou há dois anos, contou com a participação de mais de 40 autores e 300 colaboradores, somando técnicos do poder público, da iniciativa privada, do terceiro setor e da academia. Apenas por meio da consulta pública, realizada entre agosto e outubro, foram contabilizadas 272 contribuições. Com a aprovação, o documento deverá ser publicado no próximo mês no formato técnico de referência. “Temos um Plano Estadual de Resíduos Sólidos moderno, construído com a sociedade. Uma conquista da qual todos nós temos de nos orgulhar muito. Teremos, a partir daqui, a possibilidade de novas oportunidades de negócios e renda e, acima de tudo, a melhoria do nosso meio ambiente”, comemorou o secretário da Pasta, Marcos Penido. “Aprovado, o Plano reformulado é uma conquista não só da Secretaria (de Infraestrutura e Meio Ambiente) e do Governo, mas da sociedade de São Paulo. Este documento se aplica muito bem ao Brasil, porque aqui trabalhamos de maneira séria, dedicada e transparente”, concluiu. Revisão do Plano A versão revisada do PERS incorpora temas como lixo no mar, economia circular, mineração e áreas contaminadas e fortalece os temas de regionalização e formação de consórcios de municípios, do Sistema de Gerenciamento On-line de Resíduos Sólidos (Sigor), entre outros. A revisão alinha as novas diretrizes aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), e também ao Plano Plurianual (PPA) 2020. A atualização do documento é uma incumbência do Governo do Estado, que a fez por intermédio da SIMA. A modernização envolveu a participação de todos os atores do Sistema de Infraestrutura e Meio Ambiente Paulista, dentre eles empresas como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Além delas, todas as coordenadorias da SIMA estão representadas, assim como várias secretarias estaduais, incluindo a de Agricultura e Abastecimento, de Saúde, de Desenvolvimento Econômico, de Desenvolvimento Social, de Governo e a de Logística e Transportes. ETAPAS PERS Em julho deste ano, o CIRS apresentou a revisão do PERS em reunião. Já a audiência pública, que registrou intensa adesão, foi realizada no final de setembro. Enquanto isso, a consulta pública foi disponibilizada entre o final de agosto e início de outubro e contou com 272 contribuições. Após a incorporação das sugestões obtidas pelo processo de participação social, o documento foi apreciado no final de outubro pelo Consema, até ser aprovado, nesta quarta-feira (11), em reunião do CIRS. ATUALIZAÇÃO Além da aprovação da revisão do plano, na reunião do Comitê também foi apresentada a atualização de parte dos membros integrantes do CIRS, conforme Resolução SIMA nº51 de 12 de agosto de 2020 e a Portaria SIMA nº 35, de 8 de setembro de 2020. BALANÇO 2020 Como é de praxe na Reunião Ordinária, cada um dos coordenadores dos Grupos de Trabalho (GTs) apresentou um balanço das atividades de julho a novembro de 2020. A 6ª reunião ordinária do CIRS está prevista para 16 de março de 2021. FONTE: Portal Saneamento Básico

24 estados devem ampliar investimentos para garantir universalização do saneamento, diz estudo

Atualmente, 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem oferta de água potável, mesmo em meio à pandemia A maioria dos estados precisa ampliar investimentos em abastecimento de água e coleta de esgoto para atingir as metas propostas pelo novo Marco Legal do Saneamento Básico. A conclusão é de um estudo divulgado nesta terça-feira, 24, pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O gasto com abastecimento de água em 2018 foi de R$ 5,7 bilhões, 7,1% inferior em relação a 2014, quando o investimento atingiu o pico. No mesmo período, os recursos aplicados em abastecimento de água regrediram 30,9%. Para o pesquisador do Instituto Trata Brasil, Pedro Scazufca, os investimentos em serviços de saneamento básico estão longe do ideal. “Temos investido cerca de 50% do que seria necessário para alcançar a meta. o que vai acontecer, mantido o cenário atual, é uma distinção, um aumento da desigualdade regional com alguns estados e municípios alcançando a universalização, mas a maioria do país ficando abaixo dessa meta.” Situação do Saneamento Hoje, 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem oferta de água potável, mesmo em meio à pandemia. O levantamento aponta ainda que do total do esgoto gerado no país, apenas 46% é tratado. Pedro Scazufca ressalta que os novos prefeitos terão um papel central no objetivo de alcançar a universalização do serviço de água e esgoto até 2033. “Os municípios são titulares dos serviços, os responsáveis pela prestação do serviço de água e esgoto. Com isso, eles devem formar um plano municipal de saneamento básico, construir esse plano definindo como as metas serão alcançadas. Cabe também o munícipio definir a forma da prestação do serviço.” Segundo o estudo, São Paulo, Paraná e Distrito Federal são os estados que já estão com serviços de saneamento próximos do previsto pelo Plano Nacional de Saneamento Básico. Já estados como Acre, Ceará, Piauí, Amapá, Maranhão, Rondônia, Pará e Amazonas precisam de providências urgentes para aumentar os investimentos. FONTE: Jovem Pan

Saneamento básico é primordial para o desenvolvimento das cidades inteligentes

O conceito de smart city já se consolidou no mercado e faz parte do plano de desenvolvimento sustentável das cidades pelo mundo. A ideia deste formato é o uso das tecnologias para gerar eficiência nas operações urbanas, de tal forma que mantém o desenvolvimento econômico ao mesmo tempo que melhora a qualidade de vida da população. De acordo com o Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, 10 dimensões indicam o nível de inteligência de uma cidade: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia. No âmbito de planejamento urbano e o meio ambiente, é possível se deparar com questões de saneamento básico, que englobam serviços como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e coleta de resíduos. Segundo o Instituto Trata Brasil, estes serviços essenciais encontram-se em atraso em cerca de três décadas no Brasil e, para alcançar a meta do PLANSAB (Plano Nacional de Saneamento Básico) de universalização dos serviços até 2033, é necessário um investimento de ao menos R$ 22 bilhões ao ano. Atualmente, são investidos menos da metade em prol destas atividades. Esgotamento Sanitário Em Atibaia, as obras de esgotamento sanitário têm avançado muito e a cidade está próxima a universalização dos serviços entre os próximos anos. Para que isso aconteça de forma eficaz, proporcionando maior qualidade de vida aos moradores, a Atibaia Saneamento, empresa do Grupo Iguá responsável pela coleta e tratamento de esgoto no município, tem otimizado e modernizado suas atividades, como com o novo sistema de aeração implantado na ETE Estoril; a Central de Monitoramento que avalia remotamente a operação das elevatórias, entre outras ações que visam garantir a eficiência e um melhor resultado no processo de tratamento de efluentes e devolução aos mananciais da cidade. De acordo com Mateus Banaco, diretor da Atibaia Saneamento, as cidades do século 21 têm que ser pensadas de forma onde o desenvolvimento urbano esteja conectado com o saneamento básico. “Essas atividades essenciais beneficiam diretamente a saúde da população, como também do meio ambiente, proporcionando assim, uma reação em cadeia de melhorias em diversas esferas da sociedade no presente e futuro”, disse o diretor.

Recuperação do rio Doce passa por investimentos em saneamento

O novo Marco Legal do Saneamento Básico abriu espaço para uma das discussões mais importantes para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira: a ampliação da cobertura desse serviço, um dos setores de infraestrutura com o maior déficit de investimentos do país. O baixo índice de cobertura na coleta e tratamento de esgoto é um problema histórico no Brasil, e na bacia do rio Doce não poderia ser diferente. Antes mesmo do rompimento da barragem (em Mariana), o rio Doce enfrentava havia décadas uma situação de degradação ambiental. Afinal, cerca de 80% do esgoto da bacia não tem tratamento. Estima-se que, por ano, sejam despejados no rio cerca de 144 milhões de metros cúbicos de esgoto não tratado. Para contribuir com a melhora da qualidade da água do rio, o Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC) que instituiu os 42 programas de reparação e compensação do rompimento da barragem de Fundão gerenciados pela Fundação Renova estabeleceu, como uma das principais medidas compensatórias, a destinação de recursos para investimentos em coleta e tratamento de esgoto e destinação de resíduos sólidos para 39 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Ao implantar o programa de saneamento, contudo, constatamos que a questão não se resumia à disponibilidade de recursos, que hoje já são aproximadamente R$ 600 milhões. Faltava também capacitação técnica nos municípios para o desenvolvimento de projetos eficientes. Sem isso, não se conseguiria atingir os objetivos propostos. Recursos Para solucionar esse gargalo e permitir que os recursos fossem aplicados de forma eficiente, a Fundação Renova decidiu investir na preparação das equipes técnicas municipais. Foram investidos aproximadamente R$ 7,3 milhões e realizadas mais de 1.400 reuniões de apoio técnico e mais de 700 horas de treinamentos. Com o apoio e capacitação técnica, o programa de saneamento começou a deslanchar. Vinte e três municípios estão elaborando projetos. Outras seis cidades já estão na fase de realização das obras. O programa prevê que as obras dos sistemas de esgotamento sanitário nesses municípios sejam realizadas em etapas e de forma a permitir a maior cobertura possível de coleta e tratamento de esgoto com os recursos disponibilizados. São investimentos em um projeto estruturante que vão permitir não apenas levar o rio Doce a um novo patamar de despoluição, com a redução gradativa do descarte de esgoto e a consequente ampliação da oxigenação da água, como também trazer benefícios para cerca de 1,5 milhão de pessoas, com melhoria da qualidade de vida e das condições de saúde em um horizonte de longo prazo. Meio Ambiente Além dos impactos ambientais inegáveis, há um ganho intangível que deve ser considerado: a partir da capacitação técnica já disponibilizada, essas cidades vão estar melhor preparadas a planejar os rumos na direção da universalização, por meio da captação de novos recursos, a fim de cumprir as metas estabelecidas pelo novo marco legal. A água do rio Doce, hoje, está em padrões semelhantes ao período anterior ao rompimento da barragem de Fundão e pode ser consumida após tratamento convencional, conforme os dados coletados pelo maior programa de monitoramento implantado no país. A coleta e o tratamento do esgoto são fundamentais para a revitalização do rio e para contribuir com a melhoria da qualidade da água e das condições de saúde nesses municípios de forma sustentável. Recursos Para solucionar esse gargalo e permitir que os recursos fossem aplicados de forma eficiente, a Fundação Renova decidiu investir na preparação das equipes técnicas municipais. Foram investidos aproximadamente R$ 7,3 milhões e realizadas mais de 1.400 reuniões de apoio técnico e mais de 700 horas de treinamentos. Com o apoio e capacitação técnica, o programa de saneamento começou a deslanchar. Vinte e três municípios estão elaborando projetos. Outras seis cidades já estão na fase de realização das obras. O programa prevê que as obras dos sistemas de esgotamento sanitário nesses municípios sejam realizadas em etapas e de forma a permitir a maior cobertura possível de coleta e tratamento de esgoto com os recursos disponibilizados. São investimentos em um projeto estruturante que vão permitir não apenas levar o rio Doce a um novo patamar de despoluição, com a redução gradativa do descarte de esgoto e a consequente ampliação da oxigenação da água, como também trazer benefícios para cerca de 1,5 milhão de pessoas, com melhoria da qualidade de vida e das condições de saúde em um horizonte de longo prazo. Meio Ambiente Além dos impactos ambientais inegáveis, há um ganho intangível que deve ser considerado: a partir da capacitação técnica já disponibilizada, essas cidades vão estar melhor preparadas a planejar os rumos na direção da universalização, por meio da captação de novos recursos, a fim de cumprir as metas estabelecidas pelo novo marco legal. A água do rio Doce, hoje, está em padrões semelhantes ao período anterior ao rompimento da barragem de Fundão e pode ser consumida após tratamento convencional, conforme os dados coletados pelo maior programa de monitoramento implantado no país. A coleta e o tratamento do esgoto são fundamentais para a revitalização do rio e para contribuir com a melhoria da qualidade da água e das condições de saúde nesses municípios de forma sustentável.

Porto Alegre/RS apresenta estudos para parcerias na área de saneamento em encontro nacional

Porto Alegre foi a única cidade convidada a mostrar os seus projetos no evento. O debate faz parte da programação do XVIII Encontro Nacional das Águas Urbanas. O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Thiago Ribeiro, apresentou os dois estudos de parceria público-privada (PPP) realizados na capital gaúcha na área do saneamento. O primeiro, nos setores de água e esgotamento sanitário, foi iniciado em janeiro deste ano. Elaborado com a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o estudo já possui diagnóstico bastante avançado. O segundo projeto foi assinado com a Caixa, em setembro, para estruturação de uma PPP para drenagem urbana. Porto Alegre foi escolhida pelo Programa de Parcerias de Investimentos do Governo Federal (PPI) para o desenvolvimento de um projeto-piloto, juntamente com Teresina. Estudos Sobre Saneamento A consultoria que fará o estudo passará por um processo de seleção nos moldes dos contratos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O modelo shortlist avalia menor preço e qualidade técnica, garantindo assim um estudo bastante robusto e chances de mais interessados em um futuro contrato de concessão do serviço. O processo de seleção deve ocorrer na primeira quinzena de novembro e será publicado no Diário Oficial da União. O debate no webinar desta quarta-feira foi moderado pelo superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondin, e contou ainda com Carlos Tucci, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (Ufrgs); Manoel Renato, diretor do PPI do Ministério da Economia; e Alexandre Anderáos, integrante do Grupo de Trabalho do Saneamento da ANA. FONTE: https://www.saneamentobasico.com.br

Gestão hídrica e as chuvas de verão

Por Sibylle Muller Boa parte dos moradores das grandes cidades brasileiras tem um encontro marcado com eventos que se repetem todos anos e causam mortes, danos físicos, materiais e transtornos ao funcionamento dos equipamentos públicos: as enchentes, enxurradas e deslizamentos de terras causados pelas chuvas de verão. Estes fenômenos vêm piorando com a crescente impermeabilização do solo urbano, que impede a infiltração da água de chuva nos terrenos e acaba levando as águas a escorrerem superficialmente. Outro aspecto importante na formação de enchentes é causado por resíduos acumulados nas ruas e areias de construções, que levados pelas águas de chuva até a rede pública, podem causar entupimentos nas tubulações e assoreamento em rios. A obstrução dos canos da rede pública faz com que a água não passe por eles e acabe voltando para as ruas, causando pontos de alagamento. O acúmulo de resíduos em rios e córregos diminui a lâmina de água e aumenta a probabilidade de transbordamento dos rios e córregos, causando enchentes. É clara a necessidade de melhorar a articulação e cooperação entre a União, Estados e Municípios para a solução sistêmica dos problemas causados pelas chuvas, nos meios urbanos. A receita que o país vem utilizando, há anos, é a adoção de obras de infraestrutura custosas, como os piscinões. Interferências urbanas diversas e o crescimento demográfico devem ser considerados para soluções efetivas dentro de um planejamento integrado de médio e longo prazo. No que diz respeito à impermeabilização do solo urbano, é importante manter, para novos projetos, taxas mínimas de áreas permeáveis nos terrenos para promover a infiltração da água de chuva no solo, reduzindo a possibilidade de enchentes. A gestão das águas de chuva começa a ser realizada, pontualmente, em novos projetos de edificações residenciais, comerciais, corporativas e industriais com a aplicação de soluções sustentáveis, como os projetos para aproveitamento de águas pluviais e reuso das águas cinzas. Os sistemas de tratamento de águas de chuva, corretamente dimensionados e com uso generalizado, constituem uma das ferramentas no combate à formação das enxurradas e enchentes em áreas pouco permeáveis e contribuem para a diminuição dos fluxos de águas pluviais para os córregos e rios. Além da legislação que deve exigir a previsão  de projeto de aproveitamento das águas de chuva, para aprovação de novos empreendimentos, usar incentivos fiscais, como redução de IPTU, para aqueles que tenham sistemas de aproveitamento ou de reuso implantados no seu empreendimento, pode ser uma boa estratégia do poder público para a disseminação do conceito do reúso.  As águas cinzas são águas residuais que geramos diariamente em processos domésticos como, por exemplo, no banho do chuveiro, no uso da pia do banheiro e na máquina de lavar.  O reuso de água cinza permite a substituição do uso de água potável em situações em que a potabilidade não é necessária. A diminuição do consumo de água potável e do volume de esgoto gerado, reduzem o volume de água encaminhado para as estações de tratamento de esgoto e ou para os cursos d’água. As águas de chuva podem ser coletadas, preferencialmente, em coberturas dos edifícios residenciais, comerciais e industriais. O tratamento dessas águas deve prever filtração e desinfecção, mesmo para a utilização em fins não potáveis. Além do papel ambiental, a possibilidade de substituição de parte dos volumes de água potável por água de chuva resulta em redução efetiva do consumo de águas potáveis, diminuindo custos e preservando os mananciais para finalidades mais nobres. A partir de estudos de viabilidade do custo x benefício do aproveitamento das chuvas e das águas cinzas, para cada obra e região, a AcquaBrasilis, desenvolve projetos e instala sistemas de aproveitamento dessas águas para irrigação de jardins, canteiros, lavagem de piso, calçadas e limpeza em geral, bem como, em descargas de vasos sanitários e lavagem de veículos. A introdução de sistemas de uso racional da água nos projetos, com a retenção e consumo das águas no próprio empreendimento, com o aproveitamento ou reuso, resulta em   pontos positivos para aqueles que almejam obter as certificações internacionais de sustentabilidade na construção civil, como a AQUA-HQE e Leed, do GBC. Os sistemas para tratamento e reuso de águas de chuva e cinzas, bem dimensionados e com operação adequada ao longo do tempo, podem diminuir, volumes de escoamento de águas superficiais nas ruas e reduzir os volumes de água que escorrem para rios e córregos, resultando em redução de enchentes e seus acidentes e mortes, o que pode trazer muitos benefícios, principalmente, na época das fortes chuvas de verão.

Tenda investe em construção off-site para expandir atuação no Brasil

A construtora e incorporadora brasileira Tenda adiantou à Forbes, com exclusividade, que concluiu nesta semana a montagem das duas primeiras casas em woodframe em um condomínio fechado no interior de São Paulo. A novidade representa uma inovação não só do ponto de vista da tecnologia adotada, que consiste no uso de enquadramentos de madeira, mas também do processo, já que a construção passa a ser baseada no modelo off-site, ou seja, partes dos imóveis são produzidas em uma fábrica, também no interior do Estado para, em seguida, serem transportadas para os canteiros de obra para montagem e acabamento. “Esse é o resultado de uma reflexão que começou internamente há três anos”, conta Rodrigo Osmo, CEO da companhia, cujo mercado de atuação está muito relacionado aos imóveis que atendem aos requisitos do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa Minha Vida). “Nós percebemos que o nosso modelo de negócios tinha uma capacidade de crescimento limitada. Estávamos lançando cerca de 15 mil unidades por ano e poderíamos chegar, no máximo, a 30 mil em algum tempo. Entre ser uma grande geradora de caixa, estável, mas com desenvolvimento restrito, e aproveitar nosso expertise para iniciar um novo ciclo de negócios, ficamos com a segunda alternativa”, conta o executivo. Com base nessa definição, a companhia então partiu para o desafio de resolver dois entraves principais. O primeiro era justamente continuar crescendo e, para isso, era preciso sair das grandes regiões metropolitanas. “Até então, essa era uma condição necessária para ter uma escala capaz de manter o nosso modelo de negócios em pé. Mas era preciso encontrar uma forma de operar em escala menor e, assim, entrar em cidades pequenas e médias”, diz Osmo. O segundo problema passava pela constatação de que a abordagem industrial usada na construção civil produzia ganhos marginais cada vez menores, e que, com o passar do tempo, não haveria mais incrementos de produtividade porque toda a operação já estaria otimizada na ponta. “O modelo off-site veio para equacionar essas adversidades. Por um lado, ele permite que atuemos com uma escala local pequena, no nível da cidade onde está o empreendimento. Por outro, o fato de transferir a obra do canteiro para uma fábrica aumenta muito a nossa capacidade de industrialização do processo”, explica o executivo referindo-se à independência em relação às intempéries, à possibilidade de atuação em três turnos e até à otimização de processos, já que vários deles estarão no mesmo lugar. Divulgação WOODFRAME E NOVOS MODELOS CONSTRUTIVOS Após uma série de viagens para o exterior, tanto de Osmo quanto de outros executivos da companhia, decidiu-se pela utilização da tecnologia woodframe, amplamente aplicada em residências de alto padrão em países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Suécia. “Mercados desenvolvidos utilizam woodframe em residências menos populares porque ele garante um conforto térmico e um isolamento acústico superiores ao que as tecnologias convencionais oferecem”, explica Osmo, comparando a matéria-prima com o concreto. Por aqui, o desafio da empresa vai ser justamente encontrar uma maneira de usar a tecnologia no segmento de imóveis populares. “Esse mercado tem um tamanho expressivo e aceita bem a padronização de tipologias. Esses dois componentes são muito importantes para viabilizar uma operação industrial de larga escala e com ganhos de produtividade. Apostamos nesta combinação para oferecer um produto de qualidade superior a um preço acessível.” O executivo explica que a madeira também tem um forte componente de sustentabilidade. Diferente de outros insumos, como aço e concreto, que são emissores de carbono, a madeira sequestra CO2 do meio ambiente para crescer. Além disso, a construção em fábrica reduz significativamente o volume de resíduos e o consumo de água nas obras. Por enquanto, a iniciativa está funcionando em escala artesanal no espaço alugado de 3 mil metros quadrados, onde estão sendo desenvolvidas as prototipagens e os painéis que depois são levados ao condomínio, para a montagem das casas que têm, aproximadamente, 60 metros quadrados. Mas, para o executivo, o resultado das casas-modelo foi animador e abre as portas para acelerar a validação de diversos conceitos da construção off-site. Se tudo correr como a empresa espera – e o negócio ganhar escala –, será preciso definir como conduzir essa transição para um modelo industrial e não mais artesanal. “Isso pode ocorrer de diversas formas”, diz Osmo. “Pela instalação de várias fábricas como essa que temos hoje, de joint ventures com empresas que já tenham partes do processo fabril constituídas ou até da estruturação de uma única unidade.” Também é preciso, ainda, ganhar mais experiência na montagem nos canteiros, avaliar a aceitação junto aos consumidores e entender como fica a relação com o agente financiador. O executivo estima que sejam necessários cerca de dois anos para começar a produzir em larga escala. O objetivo é ambicioso: cerca de 60 mil unidades por ano, o que quadruplicaria a atual capacidade da construtora. Para Osmo, esse movimento da companhia está alinhando ao que se entende, de fato, por inovação. “A construção civil é um grande paradoxo, uma vez que é o maior segmento do mundo – representa 13% do PIB mundial – ao mesmo tempo em que é também o mais ineficiente”, explica. “Inovar, nessa área, não é só digitalizar processos. Esse é um componente importante, mas é parte de algo maior. O que de fato vai resolver esse problema de produtividade é a industrialização, ou seja, sair de um ambiente hostil, como o canteiro de obras, para um ambiente mais controlado. Essa é a verdadeira inovação, a verdadeira concepção de construtech.” Até o momento, a iniciativa consumiu pouco mais de R$ 12 milhões, mas a expectativa é que esse investimento aumente conforme as próximas fases forem sendo encaminhadas. “Originalmente, a ideia era investir 1% da receita em pesquisa e desenvolvimento, mas é possível que esse índice suba para 2% ao longo do tempo.” FONTE: FORBEShttps://www.forbes.com.br/forbes-insider/2020/09/exclusivo-tenda-investe-em-construcao-off-site-para-expandir-atuacao-no-brasil/